segunda-feira, 4 de abril de 2016

Os nossos soldados na I Grande Guerra - a freguesia de Alfeizerão

Ilustração do Capitão Menezes Ferreira
(in João Ninguém, soldado da Grande Guerra - Impressões do C. E. P., composto e impresso nas Oficinas dos Serviços Gráficos do Exército em 1921)


NOME: António dos SANTOS
TEATRO DE GUERRA: França
PLACA DE IDENTIDADE: 26238
NATURAL DE: Vale de Maceira, Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins     Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa 30
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/30

(desenho do Capitão Menezes Ferreira)

NOME: Francisco Joaquim CAETANO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: Soldado
COMPANHIA: Corpo de Artilharia Pesada (C. A. P.)
PLACA DE IDENTIDADE: 44857
NATURAL DE: Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 48
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/48/44857


NOME: Joaquim dos Santos BERNARDES
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado
PLACA DE IDENTIDADE: 37287
NATURAL DE: Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, nº 40
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/40/37287

NOME: Joaquim PEREIRA JÚNIOR
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado
COMPANHIA: Companhia de Artilharia Pesada (C. A. P.)
PLACA DE IDENTIDADE: 38171
NATURAL DE: Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 41
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/41/38171


NOME: José António
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado
PLACA DE IDENTIDADE: 66129
NATURAL DE: Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 70
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/70/66129


NOME: Alberto Gomes CABAÇO
TEATRO DE GUERRA: França
COMPANHIA: CALP. - designação francesa do CAPI ou Corpo de Artilharia Pesada Independente, e que era a sigla para Corps d'Artillerie Lourde Portugaise
POSTO: 1.º Cabo
PLACA DE IDENTIDADE: 35146
NATURAL DE: Casal da Ponte, Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 39
CÓDIGO DE REFERÊNCIA:PT/AHM/DIV/1/35A/2/39/35146




NOME: José da SILVA
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado
COMPANHIA: Corpo de Artilharia Pesada (C. A. P.)
PLACA DE IDENTIDADE: 37699
NATURAL DE: Vale de Maceira, Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 41
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/70/66129

NOME: Manuel BERNARDO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado (no Grupo de Companhias da Administração Militar)
PLACA DE IDENTIDADE: 29641
NATURAL DE: Alfeizerão
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 33
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/33/29641

NOME: António PAULINO
TEATRO DE GUERRA: Moçambique
POSTO: soldado
UNIDADE: Regimento de Artilharia de Montanha
PLACA DE IDENTIDADE: 396
NATURAL DE: Alfeizerão
DATA DA MORTE: 14 de Março de 1917
CAUSA DA MORTE: paludismo
LOCAL DE SEPULTURA: desconhecido
FONTE NA WEB: projeto Memorial aos Mortos na Grande Guerra (Ministério da Defesa/Arquivo Histórico Militar)


NOME: Adelino ESTÂNCIO DOS SANTOS
TEATRO DE GUERRA: Moçambique
POSTO: 1.º Cabo
UNIDADE: Regimento de Artilharia de Montanha
PLACA DE IDENTIDADE: 33
NATURAL DE: Alfeizerão
DATA DA MORTE: 14 de Outubro de 1917
CAUSA DA MORTE: disenteria
LOCAL DE SEPULTURA: Chomba
FONTE NA WEB: projeto Memorial aos Mortos na Grande Guerra (Ministério da Defesa/Arquivo Histórico Militar)


NOME: António DUARTE
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado
COMPANHIA: 1ª Companhia
UNIDADE: Infantaria 7
PLACA DE IDENTIDADE: 07128
NATURAL DE: Mosqueiros, Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: ____ e Donália (?) dos Santos
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 15 de Outubro de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Presente no D. D. 1 em 6 de Abril de 1918, seguiu para Portugal a fim de ser repatriado em 23 de Julho de 1918. Noventa dias de licença para convalescer, em sessão do dia 1, confirmada em 3/7/1918. Abatido ao efetivo do D. D. 1 com passagem ao batalhão de Infantaria 12, em 24 de Fevereiro de 1919
NOTA: O D. D. 1 é a sigla de Depósito Disciplinar.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUALArquivo Histórico Militar, Boletins Individuais dos Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 8
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/08/07128


NOME: António MACHADO
TEATRO DE GUERRA: França
Posto: soldado servente nº 577
COMPANHIA OU UNIDADE: 3º G.B.A. [Grupo de Baterias de Artilharia]
PLACA DE IDENTIDADE: 05144
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Loduvina das Dores Machado, residente(s) em Alfeizerão
PAIS: José Machado e Maria Gertrudes
EMBARQUE: 21 de Março de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 22 de Dezembro de 1917
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL
Baixa a Ambulância em 17 de Junho de 1917, Alta em 5 de Julho. Presente na unidade em 12, Baixa ao Hospital em 23 de Janeiro de 1918. Alta em 6 de Fevereiro com 10 dias para convalescer. Licença de campanha por 53 dias com princípio em 19 de Julho 1917. Abatido ao efetivo do Dep. Artª. em 31-1-1919 - encontra-se ausente.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 6
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/06/05144


NOME: António MARQUES
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 335
COMPANHIA E UNIDADE: 1ª Companhia, Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 7054
NATURAL DE: Vale de Maceira
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: Joaquim Marques e Úrsula Maria, residentes em Alfeizerão
EMBARQUE: em 20 de Janeiro de 1917
PARTIDA DE FRANÇA: 1 de Março de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Ferido em combate em 12 de Junho de 1917. Colocado na 1ª Bateria do 6º G. M. [Grupo de Metralhadoras] em 4 de Janeiro de 1918. Colocado no na Bateria de Metralhadoras Pesadas [B. M. P.), e na 1ª Companhia com o nº 142 em 31 de Outubro de 1918. Embarcou para Portugal com o B. M. P. em 1 de Março de 1919 no "Goendocio" (?).
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 8
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/08/07054



NOME: António MOTA
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 715
COMPANHIA: 1ª Companhia
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 7125
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: Feliciano Mota (“sobrinho”) e Maria Gageira, residentes em Alfeizerão
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 8 de Julho de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Ferido em combate a 28 de Julho de 1917 por estilhaços de morteiro (não baixou ao hospital).
Foi dado pronto na instrução em Baionetas em granadeiros em 7 de Outubro de 1917. Embarcou para Portugal em 4 de Setembro de 1918.
Aumentado ao efetivo do D. D. 1, onde ficou no Quadro Permanente em 8-2-1919. Passou ao Quadro Permanente do D. D. 1 em 5 de Julho. Embarcou para Portugal a bordo do transporte "North Western" [Northwestern Miller ?] em 5.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 8
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/08/07125


NOME: João Faustino JUSTINIANO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: Corneteiro nº. 201
COMPANHIA: 2.ª Companhia
UNIDADE OU FORMAÇÃO: 4.º Batalhão (Infantaria 7)
PLACA DE IDENTIDADE: 6994
NATURAL DE: Valado de Sta. Quitéria
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: Faustino Justiniano e Maria Augustinha, residentes no Valado de Sta. Quitéria
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
PARTIDA DE FRANÇA: 25 de Fevereiro de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Nada consta até 28 de Fevereiro de 1918. 
Seguiu da Infantaria 7 para a zona avançada a fim de recolher à sua unidade em 22-9-918.
Embarcou para Portugal com a Infantaria 21 em 25-2-919
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM: Arquivo Histórico Militar, BOLETINS INDIVIDUAIS DE MILITARES DO CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 08
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/08/06994

NOME: António ROCHA JÚNIOR
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 712
COMPANHIA: 1º Esquadrão
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Regimento de Cavalaria nº 2
PLACA DE IDENTIDADE: 6391
NATURAL DE: Vale da Cela
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: António Rocha e Joaquina Grilo, residentes em Vale da Cela
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 22 de Março de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Colocado no Depósito de Cavalaria em 1 de Novembro de 1917. Transferido para o Regimento de cavalaria nº 1 em 20 de Janeiro de 1918,  onde ficou com o nº 473 do 2.º Esquadrão.
3 de Abril de 1918 - seguiu para o P. D. (Porto de Desembarque) a fim de gozar de 45 dias de licença de campanha.
Ausente por excesso de licença desde 3-9-1918. Colocado no Depósito de Artilharia C em 14-9-1918
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, caixa nº 7
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/07/06391

NOME: Abel BERNARDINO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: Corneteiro nº 474 da 4ª Companhia
UNIDADE OU FORMAÇÃO: 4º Batalhão, Infantaria 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1190
NATURAL DE: Valado de Santa Quitéria, Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: António Bernardino e Maria Inácia, residentes no Valado de Santa Quitéria
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 22 de Outubro de 1918
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Baixa ao C. S. P. [Hospital Britânico?] em 15 de Julho de 1917, alta em 7 de Setembro, Baixa à Ambulância 1 em 16 Setembro; evacuado para o Hospital de Sangue nº 1 a 17. Alta em 24. Julgado apto para os serviços auxiliares em 13 de Outubro. Colocado nos serviços administrativos do Q. G. C. (Quartel General do Corpo) a 19.
Baixa ao Hospital de Sangue n.º 2 em 20 de Janeiro de 1918. Alta em 22.
Licença de campanha por 53 dias com princípio em 30-10-1918. Colocado nos Serviços Administrativos em 29 de Outubro.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM: Arquivo Histórico Militar, BOLETINS INDIVIDUAIS DE MILITARES DO CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 2A
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02A/01190



NOME: Adelino SEGISMUNDO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 181 da 2.ª Brigada
UNIDADE: Regimento de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1112
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: António Segismundo e Maria Francisca, moradores em Vale de Maceira.
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
MORTE: 2 de Abril de 1919
CAUSA DA MORTE: Broncopneumonia dupla gripal.
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Nada consta até 31 de Dezembro de 1917. Entrou no gozo de 10 dias de licença em 14-3-919. Presente da licença em 23-3-919.
Baixa ao H. S. nº 5 [Hospital de Sangue nº 5] em 26 de Março de 1919. Faleceu no mesmo Hospital pelas 6h.30 m do dia 2 de Abril, victimado por “Broncopneumonia dupla gripal”, sendo sepultado no cemitério civil de Linghem [comuna modesta do Departamento de Pas-de-Calais].
NOTA: trasladado para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (Departamento de Pas-de-Calais, França), onde se pode encontrar a sua sepultura (Talhão C, Fila 11, Coval 16)
IMAGEM DA LÁPIDE: cortesia do projeto Memorial aos Mortos na Grande Guerra
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 02 A
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02A/01112

A lápide de Adelino Segismundo no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué

NOME: Ramiro CASTELHANO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 547
COMPANHIA: 3.ª Companhia, 1.ª Brigada de Infantaria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1002
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Amália da Silva Santos, residente(s) em Alfeizerão
PAIS: Francisco Castelhano e Gertrudes Picta
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa a 31 de Março de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Nada consta até 31 de Dezembro de 1917. Colocado no B. S. C. F [Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro]. em 30 de Setembro de 1918, aumentado ao efetivo da 4ª Companhia de Infantaria 14 em 5-3-1919. Abatido ao efetivo do D. D. 1 e aumentado ao efetivo B. S. C. F. em 1 de Outubro de 1918. Abatido ao efetivo do B. S. C. F. e à 1ª Companhia em 3 de Março de 1919, marchando nesta mesma data a apresentar-se no Q. G. 1 [Quartel General da 1ª Divisão] a fim de ali lhe ser dado destino. Embarcou para Portugal com a Infantaria 14, a 28 de Março de 1919 no Helenus.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 02
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02/01002


NOME: José PEDRO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado servente nº 457
COMPANHIA: 3º Grupo de Bateria de Artilharia, 3ª Bateria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Artilharia 8
PLACA DE IDENTIDADE: 5498
NATURAL DE: Casal Pardo, Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: José Pedro e Maria do Rosário, residentes no Casal Pardo
EMBARQUE: 21 de Março de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, em 28 de Outubro de 1918
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Em 29 de Maio de 1918 seguiu para a ambulância inglesa. Seguiu em 31 do mesmo mês para o Hospital Inglês. Presente em 4/6/1918 oriundo da ambulância 4. 30 dias de licença para gozar em ares pátrios em sessão de 25, confirmada em 26/7/1918.
Abatido ao efetivo do 3º G. B. A. tendo passagem ao Depósito Artilharia C. por se encontrar ausente por excesso de licença de campanha em 3 de Setembro de 1918. Embarcou para Portugal em 23-10-1918.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 6
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/06/05498

NOME: José CATARINO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado-ferrador nº 423
COMPANHIA: Regimento de Artilharia nº 2, 4.ª Bateria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: 1º Grupo de Baterias de Morteiros, 2ª Bateria
PLACA DE IDENTIDADE: 4196 A
NATURAL DE: Vale de Maceira
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Maria Rosa Madeira, residente(s) em Vale de Maceira
PAIS: António Catarino e Maria Guilhermina
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
PARTIDA OU DESEMBARQUE: ? (excesso de licença de campanha)
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Licença de campanha por 45 dias com princípio em 18 de Fevereiro de 1918. Destacado no Depósito de Artilharia C em 16 de Setembro nos termos do artº 2º da O. C.  nº 200 de 24-7-1918, onde ficou com o nº 244 da 3ª. Abatido ao efetivo do Depósito de Artilharia C em 31-1-1919. 
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 5
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/05/04196

NOME: José CASEMIRO
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 209
COMPANHIA: 1.º Regimento de Infantaria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1118
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Maria da Conceição, residente(s) no Casal Pardo
PAIS: José Casemiro e Joaquina Leopoldina
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 5 de Março de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Nada consta até 31 de Dezembro de 1917. Colocado na 1ª Companhia, no Batalhão de Infantaria 24 em 7 de Abril de 1918, onde ficou com o nº 692.
Diligência ao Depósito Disciplinar 1, a fim de escoltar presos em 26-1-1919.
Embarcou para Portugal com o Infantaria 24 em 1 de Março de 1919, no “Goentocio”.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 2A
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02A/01118


NOME: Joaquim LOPES
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: 1º Cabo, nº 579
COMPANHIA: 1ª Divisão, 2º Batalhão de Infantaria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 6937
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: Francisco Lopes e Elisa Maria, residentes em Vale de Maceira.
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
PARTIDA DE FRANÇA: 5 DE Julho de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Baixa ao Hospital em 3 de Maio de 1917, alta em 25 de Junho.
Baixou à Ambulância 3 em 25 de Maio de 1919, Alta em 24.
Condecorado com a medalha comemorativa da expedição à França em 24-2-1919.
Repatriado com o D. D. 1 em 5-7-1919.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 8
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/08/06937

NOME: Joaquim CARREIRA
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado nº 180
COMPANHIA: 3.ª Companhia, 1.º Regimento de Infantaria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Batalhão de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1111
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Ricardina Paulino, residente(s) em Fonte Figueira [Casal Fonte Figueira]
PAIS: António Joaquim Carreira e Francisca da Assunção [Assumpção]
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 16 de Fevereiro de 1919
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Ferido em combate em 12 de Junho de 1917. Baixa ao Hospital de Base 1 em 16 de Agosto de 1918, Alta em 22 de Setembro. Colocado no Batalhão de Infantaria 33 em 1 de Novembro. Desmobilizado e repatriado com o Batalhão de Infantaria 15 em 13 de Fevereiro de 1919, a bordo do “Orita”.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL : Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 02/A
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02A/01111


 NOME: José LUÍS
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado, nº 239
COMPANHIA: 2ª Brigada de Infantaria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Regimento de Infantaria nº 7
PLACA DE IDENTIDADE: 1237-A
NATURAL DE: Casal do Amaro, Alfeizerão
ESTADO CIVIL: casado
ESPOSA: Maria da Encarnação
PAIS: Joaquim Luís (falecido) e Maria do Rosário
EMBARQUE: 20 de Janeiro de 1917
MORTE: 21 de Junho de 1917
CAUSA DA MORTE: morto em combate
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Do seu registo disciplinar nada consta. Em Junho de 1917 faleceu na 1.ª linha por virtude de ferimentos produzidos por um estilhaço de morteiro, ferimentos em combate em 21, ficando sepultado no cemitério de Pont du Hem.
NOTA: trasladado para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (Departamento de Pas-de-Calais. França), onde se pode encontrar a sua sepultura (Talhão B, Fila 12, Coval 16)
IMAGEM DA LÁPIDE: cortesia do projeto Memorial aos Mortos na Grande Guerra
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 2A
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/02A/01237

A lápide de José Luís no Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué
NOME: Joaquim CALDIANO DA SILVA
TEATRO DE GUERRA: França
POSTO: soldado condutor nº 403
COMPANHIA: Grupo de Baterias de Artilharia, 1ª Bateria
UNIDADE OU FORMAÇÃO: Regimento de Artilharia nº 2
PLACA DE IDENTIDADE: A 4155
NATURAL DE: Alfeizerão
ESTADO CIVIL: solteiro
PAIS: António da Silva e Maria Gertrudes, residentes em Alfeizerão
EMBARQUE: 19 de Janeiro de 1917
DESEMBARQUE: em Lisboa, a 19 de Julho de 1918
ALGUMAS (DAS) ANOTAÇÕES DO BOLETIM INDIVIDUAL:
Em 1 de Setembro de 1917 passou à Formação do Grupo, ficando com o nº 48. Em Janeiro de 1918, diligência para o 5º Grupo de Baterias de Artilharia; em 10 de Maio, diligência para o 1º. Seguiu para o P. E. [Pelotão de Estafetas] a fim de ser repatriado nos termos da Circular nº 475/11. Embarcou para Portugal no transporte “Pedro Nunes” a 8 de Julho.
LOCALIZAÇÃO FÍSICA DO BOLETIM INDIVIDUAL: Arquivo Histórico Militar, Boletins Individuais de Militares do CEP 1914/1918, Sargentos e Praças, Caixa nº 5
CÓDIGO DE REFERÊNCIA: PT/AHM/DIV/1/35A/2/05/04155


 

sábado, 2 de abril de 2016

I Grande Guerra - os nomes dos nossos soldados em França (distrito e concelho)

Um comentário prévio às listas - as dificuldades

     Portugal travou uma guerra em dois continentes, na Europa (em França, mas também, em certo grau, na Madeira, onde fomos atacados pelos alemães, e nos mares, onde a nossa Marinha travou diversos combates) e em África, na defesa perante as forças germânicas dos nossos territórios coloniais em Angola e Moçambique. E se não estávamos preparados para combater em França, ainda menos preparados partimos para África. As armas inadequadas, as dificuldades do terreno e a(s) doença(s) contribuíram para vários desaires militares que apenas se podem avaliar pelos números: os militares portugueses que morreram em Angola e Moçambique durante a Grande Guerra representam 70% das nossas baixas no conflito bélico, e a percentagem real deverá ser muito maior, uma vez que no final da Guerra, estimava-se em 5.500 o número de soldados portugueses desaparecidos nesse continente (vid. OLIVEIRA, A. N. Ramires de (coordenação), História do Exército Português [1910-1945], volume III, Estado-Maior do Exército, 1993-1996). O norte de Moçambique, sobretudo, foi para os militares portugueses um verdadeiro sorvedouro de vidas humanas.

     Este comentário não é gratuito, porque em termos da nossa noção dos teatros de guerra e das baixas sofridas, a situação é inversa à proporção dos nossos soldados que tombaram na guerra. Temos (felizmente) um conhecimento documentado e razoável das forças que compunham o C.E.P e o C.A.P.I, as duas nossas formações na Europa - sabemos de onde eram originários muitos dos militares, a unidade a que pertenciam, onde combateram e o seu destino. Quando aos nossos expedicionários em África, o conhecimento que temos deles é insuficiente, limitado, omisso; e é nesse campo que são necessários mais estudos e pesquisas; um trabalho já iniciado no contexto do projeto Memorial aos Mortos na Grande Guerra e dos dois principais organismos envolvidos: o Arquivo Histórico Militar e o Arquivo Histórico Ultramarino. Sendo um lugar-comum falar-se, a propósito do centenário da Guerra de 14-18, em resgatar a memória; de certa forma, e dada a espécie de amnésia coletiva que ainda os envolve, os nossos expedicionários em África dão corpo ao simbólico Soldado Desconhecido, anónimo na sua luta e na sua morte.

     Não tendo nós reunido meios para expormos aqui os nomes de todos os soldados da nossa região que serviram em Angola e Moçambique durante a Grande Guerra, encontramos um meio modesto de lhes fazer justiça: no final desta sequência de apontamentos, e servindo-nos do motor de busca do citado projeto Memorial Virtual, vamos apresentar uma relação de todos os soldados da zona que pereceram na Grande Guerra, tanto em França como em África, tendo como critério alargado seis dos doze concelhos da Região Oeste: Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche.

Os militares do Distrito de Leiria na Frente

    As duas primeiras listas aqui indicadas foram elaboradas pelo site Genealogia FB, portal de conteúdos de genealogia, a partir dos resultados do motor de pesquisa do Arquivo Histórico Militar; e aqui reproduzimos por amável cortesia sua. A partir destas listas elaboramos, com o conhecimento e a permissão dos administradores do site, a terceira e a quarta lista deste post que diferenciam os militares do Corpo Expedicionário Português que eram oriundos dos concelhos de Alcobaça, Caldas da Rainha e Nazaré. Note-se que estas listas não são definitivas, mas representam o que se consegue divulgar no estado atual dos nossos conhecimentos, uma vez que existem documentos no dito Arquivo por estudar e processar.

    Nestes ficheiros, o nome do militar contém a hiperligação para o registo sobre ele no Arquivo Histórico Militar, tendo este organismo digitalizado diversos Boletins Individuais desses soldados, o que no quadro se assinala com o xis em Representação Digital. No ficheiro dos Sargentos e praças, a primeira coluna a seguir ao nome especifica a localização física no Arquivo Histórico Militar (caixa) do Boletim Individual.




Terceira e quarta lista: os expedicionários em França naturais de três concelhos vizinhos





Vídeo da Liga dos Combatentes com imagens da Grande Guerra (clicar na imagem)




(próximo apontamento: Os nossos soldados na I Grande Guerra - freguesia de Alfeizerão)

sexta-feira, 25 de março de 2016

I Grande Guerra - imagens visuais e escritas de uma memória sofrida

Gravura do Capitão Menezes Ferreira (in João Ninguém, soldado da Grande Guerra, composto e impresso nas Oficinas dos Serviços Gráficos do Exército, 1921)

Um enunciado e um desafio

     Nós entramos, desde 2014, na efeméride do centenário da guerra de 1914-1918. Uma centúria parece muito tempo mas alcança-nos na longa sombra da memória coletiva; quase todos nós temos avós, ou bisavós que sofreram as suas agruras, ou recebemos relatos orais que foram transmitidos desde esses familiares até à geração dos nossos pais. O meu avô paterno era de Famalicão da Nazaré e esteve na Flandres na Grande Guerra - estas ligações. estas sinapses entre gerações distintas e nem sempre coincidentes, fazem-nos perceber que é muito importante resgatar a memória dessa guerra e dos que nela participaram, mesmo porque, pela forma como decorreu e pelas sequelas físicas e psicológicas que deixou nos expedicionários, essa memória, tantas vezes traumática, foi muitas vezes reprimida, apoucada, pelos próprios sobreviventes.

     A aproximação do centenário, e o seu início, tem sido assinalado - à escala mundial, como a guerra - por um esforço generalizado para reaver e reabilitar as memórias da Grande Guerra. Imagens e memórias do conflito e variegados documentos da época tem vindo a ser colocados à disposição do grande público em representação digital, que todos podem conhecer, estudar e difundir.

     Graças a esses recursos disponibilizados por Arquivos, bibliotecas e outras instituições, temos à disposição, ou a informação integral do que pretendemos conhecer, ou os índices e bases de dados que constituem um válido ponto de partida para qualquer pesquisa, a informação clara sobre onde e como encontrar o que procuramos.

     Indicar alguns desses recursos será, numa escala restrita, local, a finalidade dos textos que se seguirem a este. Começaremos por tentar transmitir uma pálida perspetiva (apenas algumas anotações) sobre o que foi a Grande Guerra, com citações e imagens que funcionarão como parcos fragmentos de um vastíssimo mosaico (um mosaico sempre incompleto) para em seguida reproduzir listas dos nossos militares no Corpo Expedicionário Português a nível do distrito de Leiria, e do concelho de Alcobaça; e, por fim, da freguesia de Alfeizerão e das freguesias que a envolvem.

     Falava no título acima de um desafio, e esse desafio tem a ver com tudo isto - resgatar as memórias da Grande Guerra passa pelo enriquecimento do que é público e conhecido dessas memórias, porque aqueles artigos (medalhas, fotos, caderneta militar, textos, desenhos, cartas...) que são guardados pelos descendentes ou familiares dos que travaram a guerra de 14-18 podem ser acrescentados à memória partilhada do conflito, e os ditos familiares podem, se o desejarem, tirar fotografias desses objetos ou digitalizar fotos e textos que pertenciam aos seus parentes e transmiti-las aos organismos que ensaiam essa recuperação. A plataforma europeia dessas Memórias da I Guerra Mundial é o Projecto Europeana 1914-1918, com uma valência nacional no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

     Em todo o caso, e aqui projeta-se esse repto: se existirem artigos desses na posse dos que lerem estas linhas e se os pretenderem partilhar ou divulgar, colocamo-nos à disposição para articular esse processo, e para os divulgarmos também aqui, se tal nos for permitido. O nosso contato é o habitual: joseduardol@gmail.com

Três memórias

     A nossa fonte para o texto que iniciará este tema será, além de citações de alguns estudos e teses e frases ou parágrafos (além das fotos) da Ilustração Portuguesa - três obras de intervenientes e testemunhas da Grande Guerra.

    A primeira, do Capitão Menezes Ferreira [Capitão Menezes Ferreira (texto e desenhos), João Ninguém, soldado da Grande Guerra, composto e impresso nas Oficinas dos Serviços Gráficos do Exército em 1921] forma como que um registo gráfico da Grande Guerra e onde o oficial nos apresenta a figura do João Ninguém como um símbolo do soldado modesto e anónimo que acorreu à mobilização, partindo das oito províncias de Portugal com a sua mochila às costas.

    Um outro relato de referência é constituído pelas memórias manuscritas do Capitão António Joaquim Henriques, que foram publicadas pela Revista Militar, edição 2561/2562, de Junho/Julho de 2015 com transcrição e notas de Mestre Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes e do Dr. Emanuel Luís de Oliveira Morão Lopes da Silva. Os mesmos autores haviam estudado e publicado anteriormente (Revista Militar, edição 2539/2540, de Agosto/Setembro de 2013) a narrativa do mesmo militar sobre a Revolução de 5 de Outubro de 1910.

    Por fim, e não por ser menos importante, tivemos como fonte privilegiada um livro de memórias da guerra escrito pelo médico e historiador Jaime Cortesão (Cortesão. Jaime, Memórias da Grande Guerra (1916-1919) edição da Renascença Portuguesa, Porto, 1919), que depois de se oferecer como voluntário, enceta a viagem por Espanha até à Flandres onde trabalha como capitão-médico na frente da batalha. As suas memórias são um pungente documento sobre a violência e a crueza da I Guerra Mundial, transmitindo-nos com descrições vívidas todo o desespero e horror que as fotografias apenas permitem suspeitar.

Bilhete postal (acervo da Biblioteca Nacional de Portugal) que reproduz uma fotografia de Arnaldo Garcez

quinta-feira, 24 de março de 2016

População e instrução no início da I República - o Censo Populacional de 1911

     O Censo Populacional de 1 de Dezembro de 1911 (o 5º Censo geral da população), foi o primeiro recenseamento do século XX, e tem uma importância acrescida por ter sido o primeiro realizado no período republicano e nos dar uma visão detalhada da população na década em que o país mergulharia no moloque da Grande Guerra. Os quadros sinópticos deste Censo também estabelecem a comparação com os resultados dos dois Censos anteriores (1890 e 1900) ou, por vezes, com a totalidade dos cinco Censos.

     Do original, publicado em 1913 (Estatística Demográfica - Censo da População de Portugal no Iº de Dezembro de 1911, Parte I, Imprensa Nacional, Lisboa, 1913), recolhemos alguns dados e quadros que compilamos num ficheiro PDF (ßlink). Destes, transpusemos para esta publicação alguns dos dados mais significativos no contexto da freguesia de Alfeizerão e do concelho e distrito em que se insere. Um dado demográfico relevante que vários autores indicam para o ano de 1910 (fonte?), é a percentagem da população (65%) que nessa data teria a agricultura como ocupação.

     Os quadros elaborados a partir dos resultados do recenseamento são suficientemente explícitos (população, analfabetismo, etc.) nos âmbitos regional e nacional para carecerem de análises de maior.


Densidade populacional por concelhos:

Evolução da população (crescimento demográfico):


Estrangeiros por Distrito, com a sua proveniência e situação (2 imagens):




Analfabetos por Distrito, nos três Censos (2 imagens):




A população por Distrito, com distinção de género, estado civil e instrução (2 imagens):



A população por concelhos (2 imagens):






A população por freguesias (2 imagens):




domingo, 13 de março de 2016

O «Fora da Terra» de Pinheiro Chagas


(gravura extraída da revista Occidente, n.º57, Janeiro de 1880)

A obra

     Fóra da Terra, o livro de passeios de lisboetas fora de Lisboa, foi publicado pela Livraria Internacional em 1875, e a folha de rosto atribui a sua autoria a Júlio César Machado e a Pinheiro Chagas. O corpo da obra deve-se a Pinheiro Chagas, cabendo a Júlio César Machado o extenso prefácio de 47 páginas que ele, inclusive, sela com a sua "assinatura". O prefácio deste e as viagem narradas por Pinheiro Chagas seguem o mote das Viagens na Minha Terra de Garret, mas numa inversão irónica desse postulado. Escreve o escritor de A-dos-Ruivos: O ir simplesmente fora da terra, isto é, o deitar só até Pedroiços, Oeiras, Paço d'Arcos, Benfica, Lumiar, a jucunda Ameixoeira, Cascais, Sintra, Figueira, Nazaré, substitui com elegância as longas ausências da pátria, e tem as vantagens de sair mais barato e de facultar com maior frequência o aparecer citado nos jornais. Se o homem vai para França, não se fala mais nele, se vai para a Ericeira, temos notícias suas todos os dias nas folhas da capital em interessantes correspondências que nos descrevem como ele por lá come, como anda vestido, e em que danças anda metido no clube, à noite. Distrações a que não se liga importância na cidade mudam-se logo em divertimentos quando vão surpreender-nos a algumas léguas de Lisboa. O teatro, por exemplo! (...) A outra opinião mais seguida e mais moderna é que o campo melhor de todos é o povoado por gente da cidade, isto é o Fora da Terra de Pinheiro Chagas, os sítios elegantes que ele tão primorosamente conta e historia nesta obra, e que são no Verão e no Outono o refúgio da gente da moda, ao ponto de dizerem sempre os noticiários por esta época: Lisboa não está em Lisboa! De modo que, o que nós dizemos e chamamos Fora da Terra, vem a ser o que há de mais Lisboa, a Lisboa pura, a Lisboa que tem meios, que vive e que é propriamente Lisboa! As inversões anfibológicas, as silepses incoerentes, as designações absurdas fazem sempre carreira entre nós...

     Deste livro de leitura agradável e divertida, transcrevemos alguns trechos; outros de interesse igualmente relevante poderão ser procurados pelo leitor na hiperligação que abre esta introdução, lembrando nós em golpe de asa os que Pinheiro Chagas escreve sobre a Foz do Arelho, a Pederneira e a Nazaré, ou sobre a vila de Alcobaça, onde perora sobre a ruína do mosteiro abandonado.

Uma estilha da obra
                [Caldas da Rainha] Ah! Se estas localidades servissem unicamente para o fim a que se destinam, que aborrecido aspeto teriam! Não haveria nas Caldas senão coxos arrastando-se penosamente, e uma turba de gente pálida tomando melancolicamente as águas sulfúreas. Assim pelo contrário o aspeto é risonho e alegre.
                Desperta um banhista pela manhã, atravessa a praça onde se acumulam ao Domingo inúmeros camponeses que trazem a ótima fruta dos coutos de Alcobaça, e que, encostados aos seus longos varapaus, conversam uns com os outros naquele tom de voz arrastado e lento, peculiar das populações ao sul do Mondego. Em barracas armadas de improviso vendem-se os lenços vistosos, que cativam o gosto ingénuo das raparigas destes sítios. Elas, com os seus pequenos chapéus desabados, postos sobre os lenços vermelhos flutuantes ao vento, namoram as riquezas expendidas nas barracas, e discutem acaloradamente o preço com os vendedores. Por toda a parte se ouve falar espanhol. Desabou nas Caldas da Rainha um enxame de vizinhos nossos - Badajoz, Madrid e Sevilha sobretudo trasbordaram para estes sítios.
                Descendo-se por uma rua mal calçada, vai-se ter ao excelente estabelecimento de banhos, edifício elegante e simples, construído pelo hábil arquiteto Manuel da Maia, segundo diz o Sr. Pinho Leal no seu noticiosíssimo Portugal Antigo e Moderno. Uns tomam as águas, outros tomam os banhos ou na vasta piscina, onde borbulha a água azulada da nascente sulfúrea, ou nas tinas de mármore dos quartos particulares. Observa-se em toda a parte uma ordem e um asseio notáveis, graças à excelente direção do atual administrador, o Sr. Resende, cavalheiro do mais fino trato, inteligente, ativíssimo, a quem se devem em grande parte, segundo todos confessam, os melhoramentos que fazem com que os estrangeiros possam comparar, sem desdouro, o estabelecimento das Caldas da Rainha com os estabelecimentos de banhos termais doutros países mais opulentos que o nosso.
                Almoça-se, e depois é de rigor um passeio à alameda da Copa, que fica defronte do hospital. O seu aspeto exterior é delicioso. O arco alto, que tem o seu tanto ou quanto de monumental, que lhe serve de entrada, enche-se completamente com a folhagem dos arvoredos, como se enche de azul celeste, no dizer poético de Victor Hugo, a curva dourada pelo poente do arco da Estrela em Paris, depois, ao entrar-se, desfaz-se a ilusão ótica, e as árvores alinham-se com a sua folhagem miúda, os seus troncos lisos, e a sua copa não muito frondosa. Passa então a ser um passeio bonito mas trivial. A entrada fizera-nos sonhar uma dessas alamedas senhoriais das quintas aristocráticas, onde se erguem sobre o veludo orvalhado da relva as gigantes e austeras carvalheiras.
                É uso também atravessar-se o clube, ao sair-se da Copa. Lêem-se os jornais, conversa-se e uma vez ou outra canta o piano debaixo dos dedos de algum virtuose, ou a voz vibrante e melodiosa de uma ou outra menina espanhola entoa, com suave requebro, as voluptuosas malagueñas do seu país.
                Das três para as quatro horas abandona-se o clube e cada qual se retira para jantar. À tarde o ponto de reunião é diverso por simples capricho da moda, a qual se mostra, como sabem, indiferente sempre às formosas paisagens e aos pontos de vista encantadores. Nas ruas da mata regradas e alinhadas como os jardins públicos das cidades, passeia-se escolhendo-se o sítio que mais lembre o Passeio Público de Lisboa, abandonando-se lá em cima no alto do Pinheiro os horizontes, senão extremamente formosos, pelo menos desafogados e amplos.                (…) Um dia destes, por um calor de abrasar, juntávamo-nos uns poucos de amigos e íamos respirar a S. Martinho a brisa do oceano. Eram do rancho Eugénio Masoni, o nosso admirável pianista, Narciso de Freitas Guimarães, amigo excelente, e companheiro magnífico, um distinto pintor espanhol que aqui temos, D. Manuel Quadra, que trouxe para as Caldas uma grande provisão de alegria e de reumatismo, que tem muito mais talento do que cabelo, e cujos retratos estão sendo entre nós muito apreciados, um cavalheiro desta vila, extremamente obsequioso e extremamente amável, o Sr. João Pulquério [Coelho] e outros mais.
                Seguimos a risonha estrada, que vai, depois de Tornada, passando por Vale de Maceira, antiga estação da antiga mala-posta, na direção de Alcobaça, por baixo da fronde dos arvoredos, e, chegando a uma encruzilhada, voltamos as costas ao caminho da antiga povoação fradesca, e, atravessando Alfeizerão, pequena e melancólica vila, que estende ao longo da estrada as suas casas quase tão silenciosas como as ruínas quase arrasadas de uma velha fortificação que se diz mourisca, chegamos enfim à pequena e graciosa vila de S. Martinho, que se desenrola em anfiteatro à beira da sua plácida enseada, a qual dá apenas fundo a pequenos navios.
                São tristes as povoações da costa quando é desabrigado o porto, e que das humildes choças dos pescadores se ouve o longo bramido do oceano fazendo pairar sobre as cabanas as eternas ameaças do naufrágio. Quando porém se debruçam, brancas e ridentes, sobre uma enseada tranquila como esta, onde através da água transparente se veem as conchinhas do fundo, tomam da própria vizinhança do mar não sei que ares de vida e de alegria, e os barcos que entram ou saem, expandindo as asas brancas ao sopro da viração, animam a graciosa vila, que enche ainda por mais de uma vez ao dia com o seu rumor de azáfama, com o silvo agudo dos seus avisos, harmonia rude mas característica da industria moderna, o caminho de ferro americano da fábrica da Marinha Grande, que tem aqui a sua estação terminal.
                Subimos por veredas escarpadas ao castelo arruinado [o forte] que domina a barra da enseada, e divisámos então, lá em baixo, a imensa extensão do oceano, que rugia brandamente como um leão enamorado, e cujas ondas se enrolavam preguiçosamente, coroavam-se de espuma, e vinham desfazer-se, queixosas e não irritadas, nos rochedos negros que semeiam a costa, e num dos quais ainda se viam restos da madeira dum barco que aqui naufragou há tempos, morrendo quase toda a tripulação.
                Quando o rapazito, que nos servia de guia, nos contava esse drama, o oceano parecia protestar contra a calúnia que lhe assacavam, com o terno marulhar das suas ondas lânguidas e inofensivas, que não pensavam senão em acariciar os rochedos rugosos que lhes aceitam impassíveis os seus beijos de espuma.
                É que eles sabem que, quando o temporal doideja essas vagas, hoje como que suplicantes, vem lá de longe a correr bravas, ululantes, desesperadas, esbofeteiam-nos com a chapada das suas águas, ressaltam a alturas enormes, e arrojam-lhes ao seio não as algas verdes e as conchas mimosas, mas os cadáveres despedaçados, os mastros partidos, os bastidores e os acessórios das tragédias dos naufrágios.
                Esse dia findou para nós tão agradavelmente como começara. Um obsequioso cavalheiro das Caldas, o Sr. José de Sales, convidara-nos para jantar na sua Quinta da Mota, onde passámos uma tarde deliciosa, em plena liberdade campestre, tomando café estendidos sobre uns sofás de maçarocas de milho, como quaisquer Tireis e Silvanos das éclogas do Quita [Reis Quita, poeta setecentista].
                Já voltei depois disso a S. Martinho, mas dessa vez acompanhando senhoras. Estava ainda tão plácido o mar que passeámos na bailia, e espreitámos a barra, que ainda assim não foi para mais a intrepidez das nossas companheiras. A água da enseada estava serena como um lago, o dia nublado e fresco poupava-as ao calor intensíssimo da minha primeira visita. Subimos à rústica ermida de Santo António, que domina o oceano, e de onde se goza um panorama tão extenso como o do castelo. À volta era esplêndido o ocaso do sol; quando caiu a noite, acendeu-se à nossa esquerda, no alto dum píncaro elevado, uma luz votiva numa capelinha de S. Domingos, que serve de guia aos navegantes no mar alto que demandam a enseada de S. Martinho.
                São sem dúvida mais apreciáveis os faróis de rotação e outros que hoje iluminam as costas, mas têm por acaso a comovente poesia desta luz votiva da capela, que arde diante de um altar, que de súbito anuncia aos navegantes, com a sua doce chama, a terra querida da pátria, que tem, na sua meiga irradiação de estrela, não sei que vagos reflexos do alegre fogo do lar, e que espalha nos ares um aroma de afetos, de recordações de infância, que deve por força rasar de água os olhos do marinheiro, quando vê ao longe cortar a cerração noturna, estrela da pátria, da família e da fé, o ténue farol da capelinha?
                Oh! Por isto não suponham que vou pedir que o ministério das obras públicas substitua os faróis por ermidas de S. Domingos, mas deixem-me consagrar uma lágrima a estes últimos sopros de poesia, e depois...aquecer caldeiras, e siga avante na estrada do infinito o paquete da civilização.
                Um outro dia eu e os meus metemo-nos num trem, e fomos visitar Óbidos. Ali se encontraram connosco Narciso de Freitas, Masoni, um amigo deste, o Sr. Santos, amável companheiro também da nossa primeira digressão a S. Martinho, D. Manuel Quadra, e um distinto medico das Caldas, José Filipe, meu antigo condiscípulo, cuja imperturbável jovialidade não se altera, que me conste, em caso algum conhecido ou por conhecer.                Nunca vi na minha vida uma vila mais triste do que Óbidos. As velhas muralhas, que datam, segundo creio, da Idade Média, mas onde a esfera armilar e os rendilhados manuelinos de algumas janelas e portas atestam que andou por ali a mão reedificadora de D. Manuel, apertam-na no seu estreito recinto, e como que a resguardam das invasões do tumulto e da civilização moderna. Do alto do castelo divisa-se um panorama extensíssimo, formoso, mas ainda melancólico. Dum lado a Várzea da Rainha, planície imensa, onde os verdes cambiantes do solo lhe atestam a feracidade, por aqui, e por além, algumas bonitas casas de quintas, ao longe as Caldas, para outro lado a lagoa, ao fundo o mar, aos nossos pés a vila. Começavam-se a esfumar os campos na sombra do crepúsculo, não se erguia um murmúrio das planícies em repouso, não se ouvia uma voz nas ruas estreitas e desertas de Óbidos, que seguiam rigorosamente pelo interior as linhas flexuosas das muralhas. Da altura onde estávamos abrangia-se a vila toda; próximo de nós numa casa com pátio viam-se duas mulheres sentadas a coser no alto de uma escada de pedra. Era o único sintoma de vida da povoação, que parecia meditar nos esplendores do seu passado, quando a visitavam os reis e as rainhas, e quando os besteiros do conto retesavam o arco nas ameias das fortíssimas muralhas, espreitando com olhar vigilante e altivo os campos em redor. Fazia tristeza Óbidos vista assim ao pôr-do-sol. Ainda o horizonte ocidental se afogueava em púrpura e luz, e já nas ruas desertas da vila se acumulavam as sombras e a melancolia da noite.

Júlio César Machado, e uma viagem a cavalo de Peniche a Vale de Maceira



Introdução

     Júlio César Machado (1835-1890), escritor prolífico, deixou-nos romances, biografias e contos, crónicas e peças de teatro. Nasceu em Lisboa, mas passou a infância em A-dos-Ruivos (Durruivos), que considerava a sua verdadeira terra, e que evocará ao longo das suas obras com uma doce e nostálgica afeição. Viajou muito por esta região, que descreveu num olhar matizado pelo bom-humor. O seu primeiro romance foi publicado em folhetins com o apoio de Camilo Castelo Branco - um amigo para toda a vida - descreveu como poucos as festas da Nazaré (em Contos ao Luar, Livraria de António Maria Pereira, Lisboa) e cultivou a amizade de figuras como o beneficiado Malhão, de Óbidos, e Rafael Bordalo Pinheiro, que ilustrará a sua obra Os Theatros de Lisboa (Lisboa, 1874). A quem tomar conhecimento com a sua forma de escrever e com a ironia e bonomia que caracteriza as suas obras, decerto chocará o desenlace trágico da sua vida (como chocou aos seus pares e contemporâneos), mas importa reter o criador, a obra, e nesse prisma, referenciava uma dissertação de mestrado de Licínia Rodrigues Ferreira, Júlio César Machado Cronista de Teatro: Os Folhetins d’A Revolução de Setembro e do Diário de Notícias (versão eletrónica no endereço http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/5352/1/ulfl106439_tm.pdf, consultado pela última vez a 12/03/2016), que nos apresenta também a biografia do autor, sem o colorido sensacionalista de algumas páginas.

     De Júlio César Machado transcrevo aqui parte de um capítulo intitulado Peniche, o penúltimo capítulo da sua obra Scenas da minha terra, (editor José Maria Correia Seabra, Lisboa, 1862). Esta e outras obras de Júlio César Machado podem ser lidas a partir do portal Archive.org.


«Peniche»
     (...)     Entrei de novo em Peniche à hora de jantar. Que “espetáculo” me esperava ! Não encontrei pelas ruas senão gente carregada de peixe; este levava um safio, aquele um besugo, o outro uma corvina, uma dourada, um ruivo, um rodovalho, que sei eu!?           Haviam chegado os barcos da pesca, e vinham cheiinhos a não poderem mais; de todos os lados não se ouvia senão o grito de:
     — Robalo! robalo!
     — Quem quer cachucho?
     — O rico peixe galo! o rico peixe galo!
     — Chicharrinho ! Chicharrinho fresco!
     — Rodovalho às postas! Rodovalho às postas!
     E as mulheres dos lugares de venda a pesarem o peixe, e toda a gente a comprar, e a levar para casa!
     Fomos ainda dar um passeio pela vila. A praça de Peniche é realmente uma coisa para ver; consta de seis grandes baluartes, defendendo esta fortificação o istmo e as enseadas do norte e sul; o contorno da fortificação tem de extensão quase seiscentas braças: a praça foi mandada levantar por ordem de D. João IV debaixo da direção do Conde d'Atouguia, D. Luís d'Ataíde, que foi duas vezes vice-rei da Índia, e concluída no tempo de D. João IV, sob a inspeção de D. Jerónimo D’Ataíde, também conde da Atouguia.
     Em todas as ruas, rara é a casa baixa em que não se vejam as rendeiras a trabalhar. Há alguma coisa que sensibiliza naquele espetáculo simples, sereno, e humilde. Elas estão sentadas, juntinhas umas às outras, entretidas com os seus bilros, e o seu torçal, sem afastarem os olhos de cima da obra.     Uma sociedade empresária adianta-lhes os aviamentos, e dá-lhes uma bagatela pelo seu trabalho de cada dia. As pobres rendeiras assim vivem, a trabalhar desde o romper do dia, felizes apenas quando algum viajante tem a curiosidade de querer um cabeção, ou umas rendas, para trazer em lembrança de Peniche, e lhes paga mais generosamente.     Apesar do seu vestido humilde, e do ar de pobreza que de si respiram, há uma curiosa elegância na finura e distinção das suas mãos; como as rendas não podem lavar-se, são obrigadas elas a conservarem sempre as mãos no mais escrupuloso asseio.
     Oh, castas inocentes! Oh, cândidas pobrezinhas! Como elas atravessam amarguradamente a vida, preparando enfeites para as felizes do mundo! Símplices donzelas, que purificais pela honestidade o ar de miséria que vos pesa! Os anjos por estarem de luto não deixam de ser anjos, e as suas lágrimas, em vez de murcharem as flores da alma, avivam-lhes o brilho, desenvolvem-lhes os perfumes, abrem os corações à doçura, e às virtudes da humildade. Através das vossas rendas, vê-se o céu! Oh! inocentes, trabalhai, trabalhai, pobrezinhas! Nos casamentos, nos bailes, nas festas, esses cabeções, esses punhos, esses pequeninos lenços para conservar na mão, assistirão por vós às alegrias da vaidade; ainda bem que lá não estais, coitadas; para não empalidecerdes de pena quando ouvísseis chamar rendas de França, às rendas que vós fizestes!
      Oh! ficai aí, e trabalhai, pobrezinhas !
     De madrugada, quando os galos e os barqueiros principiavam a dar sinal de si, montávamos nós a cavalo, e atravessávamos tranquilamente a praia, e o nevoeiro horrível que a cobria. O arrieiro praguejava como um danado, os cavalos tinham um sono horrível, e nós, um frio de sorvete. Verdade, verdade, havia uma cor fantástica naquela partida: o mar gemia escondido atrás da névoa, a areia estava toda húmida da geada, o céu não queria deixar ver-se, e nós não tínhamos sequer a força de falar. Há ocasiões em que parece à gente que as almas do outro mundo não são quimeras: o nevoeiro parecia tomar as formas conhecidas de seres outrora queridos, que não vivem já senão na nossa memória. Melancólicos, cismáticos, silenciosos, fomos cavalgando por aquela enorme praia solitária.
     — Que calada de coelhos! - dizia o arrieiro – Vai chegar-me a tristeza não tarda nada ; se não bebo uma pinga de vinho, sou capaz de ter por aí algum desmaio I Eu cá me sinto! Quando me dão estas debilidades, ou beber, ou dormir: minha mulher, que Deus tenha...quando a levar para si, porque pelas boas obras dela é natural que ainda lá não esteja, disse-me sempre, que o sono é como os chupistas, não se chega senão para quem vive bem; mas comigo a modo que falha a regra, porque quanto pior vivo mais sono tenho!
     Ao chegarmos a Vale de Maceira, entramos numa estalagem para almoçar.
     — Ovos fritos e vinho, patroa!
     A estalajadeira principiou a frigir os ovos, e a estender uma toalha sobre o balcão.         Depois, mediu o vinho, tirou os ovos do lume, puxou-nos um banco, e disse-nos depois com serenidade:
     — O que os senhores não têm, é pão!
     — Não temos pão? Mas, mande-o buscar!
     — Não há pão na terra, senhores, ao meio dia é que se há-de cozer. Só se o senhor cura tiver ainda algum pedaço, mas a minha confiança não chega a ir lá pedir-lho.
     O arrieiro vazou o vinho na frigideira, mexeu com a colher, e encheu os copos.
     — Bebam os senhores, que isto é muito peitoral! À saúde desta povoação, que, pelos modos, bebe mais do que come! Viva Vale de Maceira!     — Viva Vale de Maceira! - Exclamámos nós, bebendo, e em seguida montando a cavalo.
 

Vale de Maceira, o fim das mercearias - uma crónica de João Carlos Mota

O edifício onde funcionou o Feijão, uma das mercearias da terra


Lembro-me de existirem seis mercearias cá na terra. Vendiam, além do copo tinto, de tudo um pouco para a dispensa lá de casa.
– João! - Dizia a minha mãe -Vai ao Zeca e traz uma botija de gás! - Devia haver sempre duas cá em casa! - Já agora traz também arroz, azeite e um litro de vinho para os temperos. Faz falta!
Pegava na nota de mil escudos – chegava e sobrava para a despesa – e lá ia eu às compras…
O Zeca, irmão e vizinho do César e do Rui – “pata larga” – tinha uma mercearia com duas secções, uma voltada para o abastecimento da dispensa lá de casa e outra mais direccionada para outro nicho de mercado, o do copo tinto e do traçadinho. Ambas com grande saída na época.
O Carreira, proprietário do Escondidinho a caminho do Casal dos Caldeanos, era um bom homem! Gaguejava muito, não percebia quase nada do que ele dizia. Ainda assim, era esperto para o negócio. Dedicou-se às feiras, ganhava a vida com barracas de assar frangos nas festas, romarias e feiras. A família toda ajudava, com a ti Ida no comando das operações, o Escondidinho funcionava até largas horas. Fechou com a sua morte!
A Chu-chu, fonte de inspiração das grandes superfícies, graças à sua grande visão para a época. Já na década de 60 dispunha de televisão. Consta que foi lá que muitos dos então habitantes de Vale de Maceira viram a chegada à Lua dos americanos em 69.
O balcão comprido em granito proporcionava aos clientes um inegável conforto enquanto saboreavam uma 1920. Os preços estavam sempre acima dos valores de mercado, contudo isso não inibia os clientes de frequentarem este estabelecimento que ainda dispunha de uma outra área, dedicada apenas aos enchidos, bacalhau e enlatados. A Chu-chu vendia bem!
Salvo o erro, foi a primeira loja a vender o jornal em Vale de Maceira. Rente às cinco da tarde, todos os dias, um carro afrouxava e arremessava um rolo de jornais, onde vinha o vespertino, A Capital. Grande Jornal! Eu, era o melhor cliente de jornais da Chu-chu, iniciei-me na leitura de jornais, graças a A Capital.
O Clemente – concorrente direto da Chu-chu, ou não fossem vizinhos. Para não fugir à regra, de um lado mercearia, do outro, taberna. Dispunha de livro -não de reclamações – de assentar as dividas, tinha capa preta e era alto e esguio. – Não falhava nada!
O meu avô era cliente assíduo do Clemente. Ia lá comprar cigarros, marca Definitivos – muito em voga na época. A minha avó mandava-me lá às vezes comprar milho para as galinhas e granito para os coelhos. Não faltava nada.
Já não me lembro muito bem do Feijão! Mas não devia andar longe das outras…
Por último, o Periquito. Fechado há pouco tempo! Há quem diga que por decisão da Autoridade da Segurança Alimentar e Económica (ASAE), mas isso também não importa. Foi lá que os periquitos deram os primeiros passos no negócio a granel… Destaque para o camaleão que se encontrava sempre numa das janelas da montra. Parece que morreu durante a hibernação no Outono após escavar uma toca e se enterrar junto a uma raiz… Infelizmente não chegou – como era seu objetivo – à Primavera. Alguém achou que estava morto! E cortou-lhe o pescoço. Pobre camaleão…
Com o camaleão foram também as mercearias cá na terra. Já não resta nenhuma! Viva as grandes superfícies!

João Carlos Mota

[texto publicado inicialmente na página de João Carlos Mota, O Psysaudosista
e reproduzido aqui por amável permissão do autor]