segunda-feira, 10 de julho de 2023

O diplomata Adelino António Ferreira

       Adelino António Ferreira, proprietário da Quinta dos Casais em Alfeizerão e empresário de visão, foi um diplomata ao serviço de Portugal, de cuja carreira encontramos algumas referências esparsas em publicações, como o seu trabalho como embaixador de Portugal na Tailândia, ou a sua viagem a Brighton, na costa sul de Inglaterra, no âmbito de uma representação diplomática do Estado português.

       A nossa nota de hoje é sobre mais uma menção ao trabalho do diplomata, desta feita como Cônsul de Portugal em Belém do Pará, no Brasil, no ano de 1907.

 


(Fonte: "Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro e Indicador para 1907”, p. 468, 1907, Companhia Typographica do Brazil, Rio de Janeiro)

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Um caminho andado por inteiro: o correio em Alfeizerão em 1927

 


A cópia de uma carta endereçada pelo presidente da Junta ao Diretor dos Correios e Telégrafos de Leiria no ano de 1927 e por nós consultada no arquivo da Junta, recorda-nos como o correio chegava a Alfeizerão nessa época. A correspondência chegava de comboio a S. Martinho e na estação postal dessa localidade era levantada a mala postal para Alfeizerão que era trazida a pé por um estafeta para este lugar para aqui ser distribuído, fazendo-se o percurso inverso duas horas depois, 40 minutos era o tempo regular indicado na carta para esse percurso entre as duas localidades. 

Reproduzimos o teor curioso dessa carta, na transcrição, atualizamos a grafia e desenvolvemos as abreviaturas, perfeitamente naturais por se tratar da cópia manuscrita de uma carta expedida pela autarquia:

 

Ao Exmo. Sr. Diretor dos C. T. do Distrito de Leiria

A Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de Alfeizerão, na qualidade de representante e defensora dos interesses dos seus habitantes, confiada no alto critério e espírito justiceiro de V. Exa., sabendo ainda mais quanto se interessa pela comodidade dos povos do nosso Distrito, proporcionando-lhes sempre todas as facilidades dentro das boas normas de justiça, vem esta Junta solicitar a V. Exa. o alto serviço para que sejam trocadas as malas postais desta freguesia, com a ambulância em vez de ser com a estação postal de S. Martinho do Porto, o que lhes traz bastante prejuízo. Não ignora V. Exa. da importância comercial, agrícola e vinícola de Alfeizerão, tendo já hoje uma troca razoável de correspondência, como o prova a estatística de venda de franquias.

De ordinário, a mala postal chega a Alfeizerão das 14.45 às 15 horas; a saída para S. Martinho é às 17 horas, como V. Exa. tem ocasião de apreciar, há apenas 2 horas de intervalo, ficando por esse motivo prejudicada alguma correspondência de resposta imediata, sucedendo por vezes mandar-se um portador á estação levar correspondência que pela sua urgência tem necessidade de seguir nesse dia. O comboio 201 (correio de Lisboa) chega a S. Martinho ás 12.20: o 206 (correio do Norte) chega ás 20.34; o condutor da mala, andando normalmente, gasta 40 minutos a percorrer a distância entre Alfeizerão e S. Martinho. Portanto, dignando-se V. Exa. atendera esta justa pretensão, podiam os habitantes de Alfeizerão receber a correspondência às 13 horas e enviá-la para o correio ás 19, sendo o intervalo de 6 horas, o que é importante para a facilidade de responder a correspondência urgente. Independentemente das inconveniências apontadas, temos outra não menos importante, que é: a detenção da correspondência em S. Martinho, tanto a vinda como a ida para o Norte. A correspondência para o Norte, que sai na mala às 17 horas, só no dia seguinte segue no 201. A vinda do Norte, que vem no 206, só no dia seguinte vem para Alfeizerão. Disso tem resultado alguns prejuízos e mui especialmente com a correspondência com a sede do concelho. Casos há em que são chamados interessados a Alcobaça, crentes os signatários de que a correspondência é recebida no mesmo dia. Com esta falta tem resultado alguns prejuízos. Uma vez a mala trocada com a ambulância, a correspondência vinda do Norte é distribuída aqui às 21 horas, a exemplo do que já houve, e o destinatário poderá responder no dia seguinte ou ir, em caso de chamamento. A correspondência trocada entre estas duas povoações (Alfeizerão e S. Martinho) poderá ser feita [com] a permuta das malas entre os estafetas respectivos.

Julgamos não haver nisto aumento de despesa na condução das malas, visto que o número de viagens são as mesmas, mas sim, apenas, mudança de horário e, para o empregado postal, apenas um pouco de trabalho em fazer duas malas em vez de uma.

Por esta pequenina exposição poderá V. Exa. apreciar as vantagens para esta freguesia, se esta Comissão Administrativa merecer o apoio de V. Exa. nesta tão justa aspiração.

Esperando que esta nossa pretensão tenha a honra de ser atendida, somos a desejar-lhe.

[Saúde e Fraternidade]

 

A. F. [João Augusto Ferreira]

Alfeizerão, 1-8-1927

 

terça-feira, 14 de junho de 2022

Com a esperança no horizonte - recordando dois episódios antigos de emigração

 Os Livros de Registos de Passaportes (1861-1999), conservados no Arquivo Distrital de Leiria, são uma fonte inestimável de informação para estudos sociológicos e genealógicos, um outro aspeto curioso dos passaportes é a descrição física do requerente com os seus sinais identificadores, recurso que precede o advento das fotografias de perfil. Do primeiro livro que aí encontramos, respeitantes aos anos de 1863 a 1870, transcrevemos dois registos relativos à freguesia de Alfeizerão, mais propriamente, a Vale de Maceira, e a dois irmãos - um deles com 15 anos - que emigram para destinos diferentes, Pará e Buenos Aires. 

A obra em causa é o Livro de Registo de Passaportes N.º 1, ADLRA, -1/III/65/C/9, f. 12v e 34r (Código de Referência PT/ADLRA/AC/GCLRA/H-D/001/0001).


<n.º 10, novembro, 9 [1868]>

«Passaporte a Francisco José Velho, solteiro, filho de Marcelino José Velho, de Maceira (sic), freguesia d’Alfeizerão, Concelho d’Alcobaça d’este Districto, para o Pará, no Império do Brazil. Abonado por Bento Mendez, solteiro, proprietário, do referido logar, como fica constando do respectivo termo lavrado na Administração d’aquele Concelho. Signaes do portador. Idade, 15 anos – altura, 1,54 – rosto comprido – cabelo castanho escuro – sobr’olhos pretos – olhos castanhos – nariz e boca regulares – côr trigueira. Assignado, José Fonseca da Cunha e Souza, Governador Civil».


<n.º 55>

«Termo de fiança que presta João António d’Oliveira d’esta cidade por Maria Marcelina, solteira, d’Alfeizerão, Concelho d’Alcobaça.

«Aos desaseis dias do mez de Julho de mil oito cento e setenta, n’esta Cidade de Leiria e Governo Civil do Districto, compareceu perante o Excellentissimo Governador Civil, Luiz Teixeira de Sampaio, Maria Marcelina, solteira, filha de Marcelino José Velho e de Maria Pereira, já fallecida, do logar de Valle de Maceira, freguezia de Alfeizerão, Concelho d’Alcobaça, a qual declarou que na data de hoje havia requerido ao dito Excellentissimo Governador Civil passaporte para Buenos Ayres, na República Argentina, mostrando por documentos authenticos que ficam junto ao seu requerimento, que nenhum impedimento se offerecia à concessão do passaporte, e que oferecia por seu abonador a João António d’Oliveira, estabelecido com hospedaria n’esta Cidade, o qual estando presente, disse que reconhecia a identidade de pessoa e a afiançava e por ella se responsabilizava nos termos dos regulamentos de policia em vigor. O que sendo ouvido pelo Excellentissimo Governador Civil e testemunhas abaixo mencionadas – José Miguel Pereira Maceirão e Claudino Joaquim Meirel, empregados d’este Governo Civil, e julgando o Excellentissimo Governador Civil idonea a fiança, que por isso aceitou, mandou, para constar e mais effeitos, lavrar este termo, que assigna com o fiador e ditas testemunhas, depois de todo o haver lido eu, Manuel Nicolau d’Abreu Castello Branco, Secretário Geral, o rubrico».

sexta-feira, 11 de março de 2022

Revisitar uma imagem gótica: a Virgem com o Menino (século XIV)

Em palavras:

                Em 1966, no decurso das obras na igreja de Alfeizerão apareceram enterradas duas imagens de calcáreo no solo da igreja, a do Arcanjo S. Miguel  e uma Virgem com o Menino. Avisado pelo padre Borges, aí acorreu o incansável Borges Garcia que as estudou detidamente, divulgando depois a sua análise num trabalho publicado em 1970: "Descoberta e estudo de imagens religiosas em S. Gião, Famalicão da Nazaré e Alfeizerão (Estremadura)" (in "Actas das I Jornadas Arqueológicas", Lisboa, 1969, Vol. II).

                Nesta breve anotação, vamos regressar a essa publicação de Eduíno Borges Garcia, mais particularmente, ao que escreveu sobre a imagem da Virgem com o Menino (op. cit., p. 9-11). Atendendo às caraterísticas da imagem, Borges Garcia atribuiu-a - com toda razão, cremos nós - à escola escultórica de Coimbra, mais propriamente à oficina de Mestre Pêro de Coimbra (século XIV). O que propomos aqui é apenas cotejar esta imagem da Virgem com pormenores de outras imagens atribuídas à mesma escola para enfatizar algumas afinidades.

                Mestre Pêro de Coimbra é uma figura de grande importância na evolução da escultura medieval no nosso país, supõe-se que tenha nascido em Aragão ou na Catalunha, e também de Aragão era a Rainha Santa Isabel que patrocinou o trabalho do escultor e a quem incumbiu de esculpir o seu túmulo, hoje estante no Mosteiro de Santa Clara a Nova. Outra das suas obras marcantes, foi o túmulo com jacente de Dom Gonçalo Pereira, Arcebispo da diocese de Braga, na Sé da mesma cidade; os anjos esculpidos nesse túmulo, cabeceira e pés da imagem do Arcebispo, são como um cânone no imaginário de Mestre Pêro.

                Sobre a imagem da Virgem com o Menino da igreja de Alfeizerão, podemos ensaiar um esquisso de descrição:

                A Virgem de pé e frontal olha em frente e segura no colo, sobre o braço esquerdo o Menino, que fixa atentamente a mãe. A Virgem apresenta um rosto de perfil ovalar de feições suaves e olhos amendoados e a boca com os lábios unidos, o rosto é emoldurado por cabelos cingidos por um véu seguro por uma pequena coroa no alto, enverga uma túnica abotoada e presa no ventre por um cinto de couro com a ponta pendente, a túnica desce sobre as pernas em pregas oblíquas em U aberto, e sobre ela tem um manto comprido lançado sobre os ombros e fechado sobre o peito por um firmal ou alfinete quadrilobado liso, o manto, agrupado sobre o antebraço direito estrutura-se em pregas escalonadas e bem definidas; a mão direita da Virgem segura flores azuis e amarelas com os seus dedos cilindricos e alongados, a mão esquerda, curvada em sentido oposto à que mal-segura as flores, abre ligeiramente os dedos alongados para segurar com firmeza os joelhos do Menino. O Menino, de tronco desnudado, tem a parte inferior do corpo enrolado num pequeno lençol e segura com ambas as mãos a pomba do Espírito Santo, possui os cabelos em linhas sinuosas e o rosto arredondado, as maçãs do rosto cheias, os lábios de comissuras encurvadas para baixo, quase em ricto de choro quando visto de frente, olhos e sobrancelhas descaídos. Estamos perante um conjunto escultórico tenuamente dinãmico com ligeiro torsão do corpo para a esquerda e o pé calçado desse lado a assomar sob as vestes, efeito acentuado pelo drapejamento das roupas e pela suave inclinação da cabeça da Virgem para o lado oposto. A policromia original anda é nítida, sobretudo no manto (azul), na túnica (vermelha) e nos pormenores em preto do cinto e do sapato.

                Sobre a arte da Escola de Mestre Pêro e a Virgem com o Menino encontrada em Alfeizerão, a filiação parece clara, os traços-chave encontram-se lá, outros pormenores mais heterodoxos, como o rosto mais arredondado da Virgem ou o cabelo do Menino por exemplo, podem dever-se à particular execução de um dado escultor ou conjunto de escultores da sua oficina e subscrevemos a conclusão de Borges Garcia: «se este bela imagem não é da autoria de Mestre Pêro, será indubitavelmente da sua Escola».

 

Em imagens:

- A Virgem com o Menino, de Alfeizerão



- As flores  na mão direita: em Alfeizerão (em cima) e, em baixo, duas imagens da Virgem com o Menino: da Igreja Matriz de Oliveira do Hospital e do Museu Machado de Castro em Coimbra




- A cabeça do Menino nesta imagem e a cabeça de dois dos anjos do túmulo de Dom Gonçalo Pereira na Sé de Braga




- A pomba do Espírito Santo nas mãos do Menino: a segunda imagem é de uma Virgem com o Menino do Museu Nacional de Arte Antiga.


- O firmal quadrilobado que prende o manto: a primeira imagem inferior é da mesma imagem do Museu Nacional de Arte Antiga e a segunda é uma imagem da Anunciação que se atribui a Mestre Pêro e que se encontra na Catedral de Santiago de Compostela



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Sem (mais) palavras

 


<António Madeira>

Matou Bernardo Joam á sua porta a Antonio Madeira [entrelinhado: "conforme o que disem"] em 24 dias do mes de Novembro de 619 ás nove horas da noute, pouco mais ou menos, esteve vivo sem falar nem subir ao pée nem nada [sic] desasete horas pouco mais ou menos, porque faleceo aos 25, duas horas depois do meio dia, foi somente ungido e sem a confisão porque não falou mais, nem deu sinal algum todo este tempo de homem vivo, foi enterrado na igreja em os 26 do dito mes, depois que as justiças de Alfeiserão e o ouvidor o mandarão enterrar e por verdade, hoje, 26 de Novembro de 1619.

[O padre-cura] Henrique Baptista

 

[ADLRA, IV/36/C/30, Registos de batismo, casamento e óbito da freguesia de Famalicão: 1615-1621, sem n.º de fólio. Código de referência PT/ADLRA/PRQ/PNZR01/003/0001]


domingo, 13 de fevereiro de 2022

O foral manuelino da Cela Nova (01/10/1515) e o trabalho nas obras dos castelos e muros


Os Coutos de Alcobaça possuíam duas fortalezas de primeira ordem, os castelos de Alcobaça e Alfeizerão e manter essas fortalezas reparadas e prontas para o conflito era uma responsabilidade do Abade e Mosteiro de Alcobaça que para tal, contava com o trabalho prestado pelos moradores dos Coutos através da obrigação da adua ou anáduva. A contestação a essa obrigação estará na origem da sua fixação, a título de exemplo, na letra do foral novo de D. Manuel I à Cela Nova, cujo teor se declara extensivo aos restantes concelhos dos Coutos.

Desse documento, conservado na Câmara Municipal de Alcobaça, apresentamos aqui o trecho sobre as "Obras dos Muros" (fl. 14r-14v). Na transcrição operamos algumas ligeiras adaptações ao texto, nomeadamente o desenvolvimento das abreviaturas, a separação de palavras indevidamente unidas e a conversão na grafia do u com o valor de v.

 

[Fl. 14r] Outrossy foy ora movida demãda pollos ditos comçelhos comtra o dito dom abade y seu moesteiro por serem comstrangidos y apremados por sua parte pera servjrem nas obras y muros do dito moesteiro sobre a qual cousa foram per nos vistas as scripturas do moesteiro per que se prova y achamos seer dado o dito poder ao dito moesteiro per ElRey dom fernamdo por sua carta patente. E per bem della foy sempre em posse da dita servjntia o dito moesteiro. A qual nos decraramos per este nosso foral aversse de fazer desta maneira j que os vezinhos y moradores dos ditos coutos servam per mandado do abade do dito moesteiro ou de seus ofiçiaães daqui adiante nas obras y muros // [fl. 14v] das ditas suas fortellezas como atee qui fizeram. E isto soomente sera quando nos ouvermos por nosso servjço y bem de nossos regnos de se fazerem ou refazerem os ditos castellos y muros y obras delles as quaaes nos curtam [sic] per nosso espeçial mandado ao dito abade mandarmos fazer y doutra maneira nam servjram os moradores dos ditos comçelhos nas ditas obras sem embargo da dita carta. Item da posse em que disso o dito moesteiro estava. Salvo quando nos os ditos castellos mandarmos correger como dito he.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Na sombra dos dias: sete pequenas narrativas

 


        A leitura dos assentos paroquiais de diferentes freguesias, seja com o intuito de pesquisa histórica ou genealógica ou por mera curiosidade, acaba sempre por cruzar registos que relevam pelo seu conteúdo invulgar ou pelas informações inéditas que nos fazem chegar. Neste parco rascunho transcrevemos seis assentos paroquiais de S. Martinho do Porto em que a fatalidade e a tragédia, ontem como hoje, denotam a pérfida capacidade de supreender qualquer existência, por mais amena ou desassombrada que ela pudesse ou possa ser. Esses textos suscitam por vezes interrogações, veladas pelo tempo e pelo olvido, de forma análoga à dos episódios e eventos inconclusos dos nossos dias que parecerão misteriosos aos que nos sucederem.

                Nos dois primeiros assentos, os falecidos partilham o mesmo apelido, origem e uma condição social semelhante; por sua vez, os dois ultimos assentos reportam-se à mesma fatalidade, mas indicados pelo padre-cura de S. Martinho do Porto e pelo vigário da igreja de Nossa Senhora da Vitória de Famalicão, este indica com mais precisão o lugar onde foi encontrado, e cujo topónimo ainda hoje nos é familiar.

 

<M.el mad.a. Fis lhe hum officio de caridade>

Aos onze dias do mes de Agosto de mil setecentos e sesenta e nove faleseo com todos os sacramentos Manuel Madeira, natural e morador que foi em Alfizirão, pobre, esta sepultado no adro da igreja desta villa de S. Martinho, feci dicto die ut supra.

Antonio Dinis Coresma

[ADLRA (Arquivo Distrital de Leiria), IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, n.º de fólio ilegível]

 

<Izabel madeira, mosa solteira natural de Alfeiserão>

Aos vinte e seis dias do mes de Março anno de [mil] seis sentos e setenta e outo anos, faleseo nesta villa huma mossa por nome Izabel Madeira, a qual faleseo em casa de André Fernandes seu cunhado, hera natural da villa de Alfeizerão, não fes testamento por ser muito pobre, está enterrada no adro da Igreja desta villa para a parte do norte, feci dicto die ut supra.

Bento de Mendanha

[ADLRA, IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, n.º de fólio ilegível]

 

Em os nove dias do mes de fevereiro de mil e seis sentos e outenta e hum annos acharão morto hum menino por nome Manuel, hera de idade de seis anos e meo, filho de Antonio Rodrigues Montero e de Catherina gomes sua mulher [moradores] na varzea de Alfeizerão, ficando na dita varzia huma noute tempestuoza; seu corpo foi sepultado no adro da Igreija Matriz desta Villa de Sam Martinho para a parte do norte. Feci dicto dia ut suora.

Manuel Pinto de Abreu

[ADLRA, IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, n.º de fólio ilegível]

 

Em os vinte e outo dias do mes de Outubro de mil e seis sentos e outenta e dous annos acharam morta Izabel de Almeida, molher de Antonio Teixeira, com muntas facadas, moradores na Villa de Sam martinho, seu corpo está sepultado no adro da Igreja Matriz da parte do norte. Feci dicto dia ut supra.

Manuel Pinto de Abreu

[ADLRA, IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, n.º de fólio ilegível]

 

Em os quinze dias do mes de Maio do anno de mil e seis sentos e noventa e nove faleseo Theresa, filha de Amaro Fernandes e de Theresa do Couto, ja defuntos, moradores que forão em a Villa de Alfiziram, e esta defunta dizem teria de idade vinte annos pouco mais ou menos, não reçebeo os sacramentos porque a acharam morta, e para que conste o sobredito fis este asento, e está sepultada no adro desta Igreija.

O Prior Antonio Cerveira e Sotto

[ADLRA, IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, fl. 43r]

 

<Antonio madeira dos Raposos, Satisfes se com o bem da alma [rubrica do padre]>

Em os nove dias do mes de Julho de mil seis centos e setenta annos achou morto o meu compadre ___ [?] garcia, andando a cassa [à caça] no pe [?] de vale da serra, a Antonio madeira morador que foi nos cazais dos Rapozos, thermo de Alfezirão e freguez de Famalicão, o qual avia faltado de sua caza seis semanas, estava lansado de costas sobre huã pedra ja coruto [corrupto], de maneira que achouse, não podia sofrer; veio Antonio Fernandes seu genro e sua filha a asistir lhe ao enterro, mostrava morer [ter morrido] de acidente, foi trazido a esta villa por authoridade de justiça e está sepultado no Adro da Igreija desta dita vila, peguado ao caminho, feci dicto die ut supra.

Antonio Dinis Coresma

[ADLRA, IV/26/A/33, Registos de óbito da freguesia de São Martinho do Porto: 1666-1733, n.º de fólio ilegível]


Em o mes de Julho de 1670 se achou morto Antonio Madeira dos Casais dos Raposos no arife [arrife, recife] das quebradas aonde chamão o bico da gralha, junto ao mar, freguesia de Sam Martinho, aonde jas enterrado no adro da dita igreja por não estar em estado; ja corrupto, para o trazerem a esta sua igreja e freguesia, fiserãoçe os tres ofiçios nesta igreja pelos beneses costumados della e eu e o Reverendo padre Cura Antonio Dinis Coresma repartimos ambos de permeio o que importarão os custos delles conforme manda a constituissão, igualmente a cada hum o que lhe coube; mes asima declarado. O Vigr.o Antonio de Moura ferrão

(ADLRA, IV/36/D/36, Registos de óbito da freguesia de Famalicão: 1649-1684, fl. 47r, assento n.º 185)