sexta-feira, 17 de abril de 2020

Um assento de óbito de 1893



Por vezes em artigos impressos ou fontes manuscritas surge-nos mencionadas ocorrências lacónicas e misteriosas, como este homem encontrado morto junto à Lagoa de Fora (topónimo também enigmático) e que morava no Valado de Santa Quitéria.

Aos treze dias do mez de Janeiro d’anno de mil, oito centos noventa e trez, ás dez horas da manhã nos pinhaes d’Alagôa de Fóra, limite d’esta freguesia de São João Baptista de Alfeiserão, Concelho d’Alcobaça, Patriarchado de Lisboa apareceu morto um indivíduo do sexo masculino por nome de Guilherme Henriques Saloio, criado de servir, casado com Maria Bernardina, d’edade de sessenta annos pouco mais ou menos, filho legitimo de José Henriques Saloio e Genoveva Rosa, natural do logar das Gueieiras, freguesia de Santa Maria da Villa d’Obidos e morador no logar do Vallado d’esta freguesia, deixou filhos e foi sepultado no cemitério publico. E para constar lavrei em duplicado este assento, que assigno. Era ut supra
O Prior Antonio Henriques Secco

(ADLRA, IV/24/C/21, Registos de óbito da freguesia de Alfeizerão: 1893-1893, fl. 1r)

sábado, 11 de abril de 2020

As viagens de D. José Cornide



José Cornide Saavedra (1734-1803) foi um geógrafo, naturalista e historiador nascido em La Coruña, Galiza. Historiador autodidacta, viu a Real Academia de la Historia premiar os seus contributos ao elegê-lo como seu membro honorário (1755) e oito anos mais tarde, José Cornide torna-se académico de número da mesma academia e é enviado a Portugal para recolher elementos no arquivo da Torre do Tombo.
Cornide, que já estivera no nosso país em 1772, realiza esta segunda viagem entre Janeiro de 1799 e Março de 1801 e no regresso a Espanha em 1801, escreve um relatório sobre Portugal em 3 volumes, no qual integra o que aqui encontrara na sua primeira viagem.
A edição moderna em castelhano das viagens de José Cornide foi realizada em 2009 pela Real Academia de la Historia (ABASCAL et al, 2009). Em 2010, é publicado pelo CEPAE - Centro do Património da Estremadura (RODRIGUES, 2010) um estudo paralelo de Mário Rui Simões Rodrigues sobre um diário da viagem de 1772 de Cornide que se encontrava depositado na Biblioteca Nacional (BNP, cod. 12.985).
Para este apontamento, servimo-nos do texto dos 3 volumes sobre Portugal redigidos por José Cornide em 1801 e que a Real Academia de la Historia publicou em finais do século XIX no Memorial Histórico Español (tomos 26, 27 e 28, publicados respectivamente em 1893, 1894 e 1897). Dos três tomos escrutinados, transmitimos passagens dos dois primeiros, vertidas por nós para português.

1 - Descrição da costa e dos rios de Portugal (trechos):
«Desde a barra do rio Mondego segue a costa por espaço de umas 15 léguas, formando uma curva com inclinação para sudoeste até ao porto, vila e praça de Peniche, mas antes e a dois terços da sua distância encontra-se o pequeno portopuertecito»] da Pederneira, formado com as águas que descem do vale de Alcobaça e um pouco mais adiante o de São Martinho, um e outro de pouca consideração (…) Frente à península de Peniche e a uma distância de uma légua e meia para o poente se acha o pequeno grupo das ilhas Berlengas, nas quais, na maior delas, existe uma fortificação chamada de São João. Entre as Berlengas e Peniche existe passagem para embarcações de grande porte, pois aí o mar tem muito fundo e é limpo [de escolhos]. O forte desta ilha, com outros oito que existem por estas praias e os que defendem os portos da Pederneira e São Martinho, dependem do Governador de Peniche, e se guarnecem com destacamentos de um regimento que costuma estar aquartelado nesta praça, dentro da qual existe uma pequena vila e várias terras de cultivo dispersas pela península».
(CORNIDE, 1893, cap. II, pp. 23-24)

«À boca do rio Lis segue-se a barra da Pederneira, pela qual entram no mar os dois rios que dão o nome à vila de Alcobaça, isto é, o Alcoa e o Baça; forma-se este na parte nordeste a partir de dois pequenos rios que banham as vilas de Aljubarrota e Cós e dentro da mesma vila se une ao Alcoa, que nasce na serra de Albardos e deixa à sua direita as de Turquel e Évora, descendo juntos a regar os campos da Maiorga e a formar o pequeno porto da Pederneira, antes do qual descrevem uma espécie de albufeira.
«Cardoso [padre Luís Cardoso] diz que ao Alcoa lhe chamam hoje rio da Chiqueda [«Chaqueta»] porque passa pelo lugar com este nome e ao Baça, rio da Arieira, e aos dois faz nascer na serra de Moleanos, que deve ser algum ramo da serra de Albardos.
«No porto de São Martinho entram outros dois rios, chama-se a um deles Danaom [sic, ??] e ao outro não lhe conheço nenhum nome».
(CORNIDE, 1893, cap. IV, pp. 93-94)

2 – As freguesias de Alfeizerão («Alfeiceraon») e São Martinho da comarca de Alcobaça.
No capítulo V do segundo tomo sobre Portugal, Cornide caracteriza a comarca de Alcobaça, freguesia a freguesia. O número de fogos apontado para as freguesias e comarcas possui como fonte – como refere no terceiro tomo – um Censo ordenado pela rainha D. Maria I em 1798.

«Vila de Alfeizerão
«Uma légua a poente da vila antecedente [Cela], entre uma serra que lhe cai a oriente e a costa do Oceano, acha-se situada numa extensa campina a vila de Alfeizerão, cujas terras se encontram cercadas de lagoas e em grande parte cobertas de areia. Não obstante, os seus terrenos abundam em cereal e neles se colhe algum trigo. Tem um castelo antigo com um alcaide-mor nomeado pelo abade de Alcobaça, uma igreja paroquial com a invocação de São João Baptista, apresentação do mesmo abade, a à qual está agregado com o título de Prior a “cura animarum” [lat. – cura das almas] da vizinha vila de São Martinho, a freguesia conta com 270 fogos e possui duas ermidas e um chafariz ou fonte pública. O seu termo compreende vários lugares e é governada por um juiz ordinário, dois vereadores, um procurador do concelho e demais oficiais de justiça.
«São muitas as ruínas antigas que os autores portugueses dizem achar-se nesta povoação, em grande parte já cobertas de areia, e isto e a sua proximidade ao porto de São Martinho faz-me crer que antigamente este era um dos portos mais frequentados pelos navegantes estrangeiros e pelo qual saíam os frutos deste país, mais abundantes que no presente, em que a violência dos ventos de ocidente cobriu as suas terras de areia.
«Vila e porto de São Martinho
«Meia légua a norte de Alfeizerão, num lugar alto e ao pé de uma serra que continua entre a povoação e o mar, acha-se situada a vila de São Martinho sobre um braço de mar que, internando-se por uma estreita barra entre dois grandes penhascos da referida serra, estende-se e forma uma enseada que terá uma meia légua de circunferência e dá muito abrigo às embarcações, ficando compreendida entre o dito porto de São Martinho a norte e o de Salir do Porto a sul. Já mencionei que o priorado de São Martinho, o administra o vigário de Alfeizerão e acrescento agora que a freguesia consta de 226 fogos, com várias ermidas, possui juiz ordinário, vereadores e mais justiças e que na ribeira existe um chafariz ou fonte. Neste porto se fabricam embarcações de particulares e do rei, para o que se emprega madeiras do pinhal de Leiria, que também desde aí são levadas para Lisboa.
«O seu termo compreende várias casas de fazenda e consta de terras de pão e vinhas».
(CORNIDE, 1894, pp.158-159)


Fontes:

ABASCAL, Juan Manuel, y CEBRIÁN, Rosario, «Los Viajes de José Cornide por España y Portugal de 1754 a 1801», Real Academia de la Historia, 2009.
CORNIDE, D. José, «Estado de Portugal en el año de 1800», in Memorial Histórico Español – colección de documentos, opúsculos y antiguëdades, Tomo XXVI, La Real Academia de la Historia/Imprenta y Fundición de Manuel Tello, Madrid, 1893.
CORNIDE, D. José, «Estado de Portugal en el año de 1800», in Memorial Histórico Español – colección de documentos, opúsculos y antiguëdades, Tomo XXVII, , La Real Academia de la Historia/Imprenta y Fundición de Manuel Tello, Madrid, 1894.
CORNIDE, D. José, «Estado de Portugal en el año de 1800», in Memorial Histórico Español – colección de documentos, opúsculos y antiguëdades, Tomo XXVIII, La Real Academia de la Historia/Est. Tip. De la Viuda É Hijos de Tello, Madrid, 1897.
RODRIGUES, Mário Rui Simões, «O Diário “perdido” da viagem de José Cornide por Espanha e Portugal em 1772», CEPAE, Batalha, 2010.


sábado, 4 de abril de 2020

Notícia de um marítimo


«Naufrágio do Brigue Freitas e Irmão, 1871»
Quadro a óleo, sacristia da igreja de Nossa Senhora do Monte, Funchal, ilha da Madeira.

     Alfeizerão, com as diferentes terras da sua freguesia, foi desde tempos imemoriais, terra de gente de mar, gente de mar de uma terra sem mar – pescadores, mareantes e marítimos. Poder-se-ia sustentar essa constatação com a hipótese romântica de uma vocação marítima inscrita nos genes, mas talvez seja mais razoável supor que essa seria uma alternativa aliciante para um meio pequeno onde a maioria dos seus habitantes trabalhava nos campos, com uma proporção considerável de jornaleiros, trabalhadores agrícolas em terras de outrem (médios e grandes proprietários, com destaque para as quintas que aí existiram).

     Hoje trazemos aqui a referência a um desses homens, falecido no mar em finais do século XIX numa viagem entre a canadense Halifax e a ilha da Madeira. O seu apelido, Galhofa, ocorre nos assentos paroquiais de Alfeizerão entre os moradores dos Casais do Norte.
     «Em dia, mez e anno incerto, falleceu submergido vindo em viagem a bordo do navio brigue Freitas, d’Alifax para a Ilha da Madeira, um individuo do sexo mascolino por nome José Galhofa, casado com Laureana Rocha, marítimo, natural desta freguesia de Sam João Baptista d’Alfeizerão, Concelho e Arciprestado dÁlcobaça, Patriarchado de Lisboa, filho legítimo de Antonio Thomaz e Joaquina Salvadora, ambos desta freguesia d’Alfeizerão. E para constar lavrei em duplicado esta reforma d’assento d’obito por autorização superior datada de dezassete de Fevereiro do corrente anno de mil, oito centos setenta e sete. Não deixou filhos.
O Prior António Henriques Secco»

(ADLRA, IV/24/C/15 – Registos de Óbito da freguesia de Alfeizerão, 1865-1880, fl. 75v)

     Conseguimos identificar o brigue português em que morreu o marítimo José Galhofa (submergido, afogado), conseguimos identificá-lo – trata-se do brigue Freitas & Irmãos, que habitualmente fazia a viagem entre Lisboa e a ilha da Madeira, transportando a correspondência que existisse entre esses dois destinos. Entre 1867 e 1871 são anunciados nos periódicos oficiais pela Administração Central do Correio de Lisboa, seis viagens desse brigue entre Lisboa e a Madeira desde 10 de Março de 1867 (Diário de Lisboa, nº 52, p.2 de 7 de Março desse ano, Lisboa, Imprensa Nacional) a 18 de Julho de 1871, a última e a única desse ano, cujo anúncio transcrevemos (Diário do Governo nº 158 de 18 de Julho de 1871, p. 3, Lisboa, Imprensa Nacional):
«Pela administração central do correio de Lisboa se faz público que sairão, a 18 do corrente, para a Madeira, o brigue Freitas & Irmãos; e a 20, para Pernambuco, o brigue Encantador.
«A correspondência será lançada na caixa geral até aos referidos dias, e na da estação postal do Terreiro do Paço meia hora antes da que ali for anunciada para a mala ser levada a bordo.
«Administração central do correio de Lisboa, em 17 de Julho de 1871. O administrador interino, João António Leão de Faria». 

 Teria ocorrido nesse ano de 1871, o naufrágio do brigue. Na sacristia da igreja paroquial de Nossa Senhora do Monte, no Funchal, ilha da Madeira, existe um quadro a óleo cuja legenda é precisamente «Naufrágio do Brigue Freitas e Irmão, 1871», não encontramos mencionada a sua autoria, e reproduzimos a imagem desse quadro a partir de uma fotografia de Rui Camacho, exibida na tese de mestrado de Vitor Paulo FreitasTeixeira (TEIXEIRA, Vitor Paulo Freitas, «Entre a Madeira e as Antilhas – A Emigração para a Ilha de Trindade, século XIX», p. 42, Universidade da Madeira, Mestrado em Estudos Interculturais, Funchal, Novembro de 2009, disponível no endereço https://core.ac.uk/download/pdf/62477914.pdf, última consulta a 5 de Abril de 2020).

1871 foi assim, o ano desse naufrágio em que pereceu José Galhofa, cujo assento de óbito oficial, ou reforma de assento, só foi lavrado no início de 1877 pelo prior António Henriques Seco.

   

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Domingos de Oliveira, marinheiro na Carreira da Índia



Em os uinte e seis dias do mes de Julho de mil e settecentos e onze falleceo Juliana Margarida molher de Domingos de Oliueira, Marinheiro da Carreira da India. Recebeo os sacramentos da Penitencia e Extremaunção e não Recebeo o Sacro Viatico por não estar capaz e esta enterrada em a igreija Matriz, não fes testamento e era natural da Cidade de Lisboa e o ditto Seu marido desta Vila de Alfizerão, e pêra que Conste fis este assento era ut supra.
O Cura João do Souto Velho

Fonte:
ADLRA – Registos de Óbito da freguesia de Alfeizerão, 1666-1747 (Óbitos, Livro 1), fl. 62r

Nota: na transcrição suprimimos as letras maiúsculas dentro das palavras e converteu-se as abreviaturas em palavras na forma extensa.



sábado, 11 de maio de 2019

Moinho do castelo



    Do moinho do castelo, cujas ruínas fustigadas pelo vento se erguem a noroeste da fortificação, a primeira referência escrita que lhe encontramos data de 1781 e refere o óbito do filho menor do casal que nele vivia.

Moinho do castelo, José, menor.
                Aos vinte e nove dias do mês de Junho de mil e setecentos e oitenta e um, faleceu da vida presente José, menor, filho de José do Couto e de Josefa Maria, naturais do Casal do Pardo; e para constar fiz este assento que assinei. Dia, mês Era ut supra.
O Cura e Padre Dionísio Álvares de Azevedo

[ADLRA, IV/24/C/12, Registos de óbito da freguesia de Alfeizerão: 1769-1795, fl. 45r]

quarta-feira, 10 de abril de 2019

A memória das armas (1914-1918): dois soldados da freguesia de Alfeizerão que não regressaram de França


         Das baixas que a população da freguesia sofreu na I Grande Guerra, só conhecemos com alguma segurança as que ocorreram em França; em Moçambique, por exemplo, temos notícia da morte de António Paulino (n.º 396 do Regimento de Artilharia de Montanha) por paludismo em 14 de Março de 1917, mas os elementos são escassos e desconhecemos se houve mais ou quantas mais baixas houve em Angola e Moçambique – a face mais oculta e ignorada do nosso envolvimento no conflito.
Em França, na listagem que antes organizamos sobre os soldados mobilizados na freguesia de Alfeizerão, encontramos menção de dois soldados que aí perderam a vida e foram sepultados em solo francês. Neste breve apontamento, regressamos a esses dois nomes para lhes acrescentarmos alguns miúdos traços biográficos.

Adelino Segismundo
(o ficheiro no Arquivo Histórico Militar)
Solteiro, embarcou para a França a 19 de Janeiro de 1917, integrou o Regimento de Infantaria n.º 7 (soldado n.º181 da 2.ª Brigada). Sobreviveu à guerra e a 14 de Março de 1919 entra no gozo de uma licença de 10 dias, regressa no dia 23 desse mês mas três dias depois é hospitalizado no Hospital de Sangue n.º 5 onde viria a falecer no dia 2 de Abril, vitimado por uma broncopneumonia dupla gripal. Sepultado no cemitério civil de Linghem, o seu corpo foi depois trasladado para o Cemitério Militar Português de Richebourg l`Avoué (Departamento de Pas-de-Calais).
Do seu assento de baptismo (ADLRA, Registos de batismo da freguesia de Alfeizerão: 1893-1893, IV/24/B/46, assento n.º 26), recolhemos alguns elementos sobre os seus primeiros tempos de vida e os seus ascendentes
Foi baptizado a 7 de Maio de 1893 (tinha 23 anos quando embarcou para a França), tendo nascido em Vale de Maceira às 10 horas do dia 5 de Abril, filho de António Segismundo e Maria Francisca, ambos naturais e moradores no lugar. Era neto paterno de Segismundo dos Santos e Francisca Maria e neto materno de Francisco da Silva e Francisca Maria. Foram seus padrinhos os seus tios maternos, Daniel da Silva e Maria Francisca.
A sua sepultura no cemitério francês de Richebourg l`Avoué situa-se noTalhão C, Fila 11, Coval 16.




José Luís
(O ficheiro no Arquivo Histórico Militar)
José Luís, casado com Maria da Encarnação, embarca para França a 20 de Janeiro de 1917. Tinha o posto de soldado na 2.ª Brigada de Infantaria do Regimento de Infantaria n.º 7. Apenas cinco meses depois, no dia 21 de Junho, é morto na primeira linha por ferimentos provocados por estilhaços de morteiro. Sepultado no cemitério de Pont du Hem, o seu corpo é trasladado depois da guerra para o Cemitério Militar Português de Richebourg l’Avoué (Talhão B, Fila 12, Coval 16).
José Luís, segundo o seu assento de baptismo (ADLRA, Registos de batismo da freguesia de Alfeizerão: 1894-1894, assento n.º 22, IV/24/B/47), nasceu às três horas do dia 27 de Junho de 1894 no Casal do Amaro, filho de Joaquim Luís, que era natural da freguesia de Santa Catarina, e de Maria do Rosário, natural do Casal do Amaro, onde eram moradores. Foi baptizado na capela de Santo Amaro em Alfeizerão no dia 8 de Julho. Era neto paterno de José Luís e Joaquina Rita e materno de António Paulo e Joaquina Maria. Foram seus padrinhos José Marques, solteiro, e Nossa Senhora do Rosário, e tocou com a Coroa da santa, José Luís, casado, proprietário.


domingo, 7 de abril de 2019

A vida e a carreira do desembargador Luís Botelho da Silva Vale

O esboço sobre a vida e a carreira do desembargador Luís Botelho da Silva Vale. Nasceu em Alfeizerão, de origens humildes mas determinado a ir tão longe quanto possível na sua carreira de magistrado, mereceu da parte dos que o conheceram alguns considerandos e observações que servem de elementos para um perfil psicológico: devotado nos estudos, severo e cumpridor, exemplarmente grave e circunspecto em todos os actos e cerimónias protocolares em que teve de intervir.
    Serviu três reis, trabalhou em Portugal e no «Estado da Índia» e foi aposentado com 82 anos de vida

Uma correção/errata ao texto do trabalho. Quando falo da aposentação do desembargador, escrevi que ele se aposenta em 1790 com 82 anos e considerei irreflectidamente que desses 82 anos tivera 55 ao serviço da Coroa, o que não é verídico. Tinham-se passado 55 anos desde que ele fizera a Leitura de Bacharel, ou seja, candidatara-se a um lugar no Desembargo do Paço, mas em 1754, quando está de partida para a Índia, é dito na Mercê de D. José que ele já servira a Coroa como Juiz de Fora durante seis anos - isso dá-nos a data de 1748 para o início do seu trabalho pela Coroa, por conseguinte, em 1790, quando se aposenta, ele havia cumprido cerca de 42 anos como magistrado, o que de todas as formas, não deixa de ser notável.