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| A Rua Nova dos Mercadores em Lisboa, pintura holandesa de finais do século XVI (preservada na Sociedade dos Antiquários de Londres) |
Um novo recenseamento quinhentista
Após o Numeramento de 1527-1532, o primeiro cadastro geral do reino, realizaram-se, ainda no reinado de D. João III, novos censos parcelares nos anos de 1537 e 1538 nas comarcas de Leiria, Santarém, Porto e Estremoz. Mais elaborados e minuciosos do que o censo inicial quanto à composição e valores demográficos, apresentam, no entanto, menos dados geográficos e toponímicos.
O recenseamento circunscrito à comarca de Leiria foi transcrito e estudado pela Doutora Iria Gonçalves (Gonçalves, 1977). Reproduzimos desta publicação os dados relativos aos três concelhos que marginavam a Concha, e exporemos no final dessa cópia uma pequena exposição do contexto regional desses números.
Os três concelhos
Comparação entre a demografia dos dois censos
A análise que a Doutora Iria Gonçalves faz deste último censo poderia ser estendida aos dados do prévio Numeramento de 1527. Concluindo que estamos perante uma população rural dispersa pela comarca, recorda que, tirando Leiria, com os seus escassos 588 fogos, todas as demais povoações se encontravam a uma enorme distância e Óbidos, aquela que mais se lhe aproximava, não atingia sequer as duas centenas de moradores. A par desta, uma série de pequenas vilas que mais não eram que grandes aldeias, iam-se progressiva e paulatinamente afastando dela, pela redução dos seus efetivos populacionais. E chegava-se assim aos pequenos concelhos com catorze, dez e até seis moradores. como é o caso de Paredes, Salir de Matos, S. Martinho do Porto - que não deixavam, por isso, de ser pomposamente apelidados de vilas (op. cit., p. 415).
Confrontando os dados de ambos os censos (imagem infra), podemos notar um sensível crescimento populacional em todos os Coutos de Alcobaça e na vizinha Salir do Porto, mesmo nos pequenos concelhos apontados por Iria Gonçalves; esse aumento é mais expressivo em Alcobaça e Santa Catarina. Salir do Porto perde o único termo que possuía dez anos antes, os Moinhos de Águas Salgadas, e Paredes da Vitória apresenta-nos um quadro de decadência e despovoamento. Assolada antes de 1500, segundo os cronistas de Alcobaça, por uma violenta tempestade de areia que consumou o assoreamento do seu porto, a vila foi sendo abandonada pelos seus habitantes, e neste censo já é clara a evolução negativa da sua população no espaço de uma década.
Fontes:
DIAS,
João Alves - Gentes e Espaços (em torno da população portuguesa na primeira
metade do século XVI), Fundação Calouste Gulbenkian - Junta Nacional de
Investigação Científica, Lisboa, 1996.
Gonçalves,
Iria - “Notas de demografia regional - a
comarca de Leiria em 1537”, Separata da Revista da Faculdade de Letras de
Lisboa, Lisboa, 1977
SERRÃO,
José Vicente – “População e rede urbana
em Portugal nos séculos XVI-XVIII”, in História
dos municípios e do poder local (dos finais da Idade Média à União Europeia),
direção de César OLIVEIRA, Círculo dos Leitores, Lisboa, 1996
|
|
NUMERAMENTO
DE
1527 |
NUMERAMENTO
DE
1537 |
||||
|
|
Vila |
Termo |
Total |
Vila |
Termo |
Total |
|
Alcobaça |
127 |
159 |
286 |
166 |
181 |
347 |
|
Aljubarrota |
163 |
45 |
208 |
160 |
63 |
223 |
|
Pederneira |
176 |
21 |
197 |
161 |
49 |
210 |
|
Évora
de Alcobaça |
146 |
29 |
175 |
159 |
31 |
190 |
|
Cela |
104 |
8 |
112 |
114 |
9 |
123 |
|
Alvorninha |
14 |
94 |
108 |
31 |
123 |
154 |
|
Santa
Catarina |
31 |
69 |
100 |
57 |
124 |
181 |
|
Maiorga |
87 |
13 |
100 |
81 |
20 |
101 |
|
Alfeizerão |
60 |
23 |
83 |
72 |
24 |
96 |
|
Cós |
38 |
29 |
67 |
48 |
36 |
84 |
|
Turquel |
36 |
21 |
57 |
53 |
25 |
78 |
|
Paredes |
27 |
-- |
27 |
14 |
-- |
14 |
|
Salir
de Matos |
5 |
11 |
16 |
10 |
11 |
21 |
|
São
Martinho |
4 |
9 |
13 |
6 |
11 |
17 |
|
|
||||||
|
Salir
do Porto |
15 |
1 |
16 |
25 |
-- |
25 |

