quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Dia de Santo Amaro de 2026 - 319 anos depois do início da sua feira/festa anual

 


FEIRA E FESTA DE SANTO AMARO

 

Padre Luís Cardoso (c. 1747):

«Está no arrabalde da Vila a Ermida de Santo Amaro, com a Imagem do mesmo Santo, que tem feito muitos milagres, e no seu dia tem bastante concurso de devotos; estão no mesmo Altar as Imagens de S. Brás, e Santa Catarina.

«(…) Tem feira em dia de Santo Amaro, para o que se alcançou Provisão no ano de mil setecentos e sete, com a mercê de ser o terrado para aumento, e obras da Casa do Santo, de cuja Provisão pediu vista o Donatário, e cobra-se o terrado para o Mosteiro; dura três dias e não é franca».

CARDOSO, Pe. Luís - Diccionario geografico, ou noticia historica de todas as cidades, villas, lugares, e aldeas, rios, r... / que escreve, e offerece ao muito alto... Rey D. João V nosso senhor o P. Luiz Cardoso, da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa... - Lisboa : na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real, 1747 – Tomo I, p. 278

 

O pároco, vigário Doutor Manuel Romão, em 1758:

«Tem a Ermida de Santo Amaro, que está próxima á Vila tão antiga como a mesma (…) Em o dia do Santo quinze de Janeiro é visitada de muita gente das terras vizinhas e também das remotas, que públicos milagres, e prodígios que Deus lhe tem feito por intercessão do Santo, com agradecimento lhe trazem braços, mãos, pés, dedos de cera que penduram nas paredes da casa do Santo, e suposto muitos milagres moralmente sejam certos, não me consta seja algum autêntico, nos mais dias do ano poucas vezes vem á dita Igreja gente de Romaria».

(Memórias paroquiais, vol. 2, nº 53, p. 470)

Anotação: O padre Manuel Romão era  prior de Alfeizerão desde 7 de junho de 1734, data em que tomou posse da paróquia, e responderá em 1758 ao inquérito alargado a todas as paróquias do reino realizado na sequência do sismo de 1755. O seu juízo sobre os milagres do Santo, de serem moralmente certos, mas não – indubitavelmente - autênticos, traduz a sua formação académica. Cursou na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra de 1716 a 1727, alcançando o grau de Doutor a 12 de Outubro de 1727 (Código referência PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/R/004604). A sua assinatura nos assentos paroquiais indica-nos isso e, em alguns casos, a origem albicastrense da sua família: Prior e Vigário Doutor Manuel Romão <de Castelo Branco>. 

 

A CASA DO SANTO

«Arquitetura religiosa, quinhentista. Capela de nave única e que possui galilé, opção muito utilizada nas ermidas dos séculos 16 e 17. Planta retangular, de volumes articulados em justaposição e por adossamento, dispostos com horizontalidade. Apresenta coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, com beiral. A fachada principal orientada a O. ostenta galilé com quatro colunas, empena triangular, sobrepujada por cruz latina e sineira; apresenta portal recto, de ombreiras e lintel pétreo, e porta no anexo lateral direito».

(Sónia Vazão, 2004, verbete “Capela de Santo Amaro” no SIPA – Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, IPA.00023310)

 

A imagem do santo, de pedra policromada e de pequenas dimensões, poderia datar do século XVI, segundo a apreciação de Gustavo de Matos Sequeira.

Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Leiria», volume V, Lisboa, Academia Nacional de Belas-Artes, 1955).



[1] Provisão: acto de prover, carta pela qual se confere alguma mercê (SILVA, António de Morais, Dicionário da Língua Portuguesa, Tomo 2, p. 522, Lisboa, Tipografia Lacerdina, 1813)