FEIRA E FESTA DE SANTO
AMARO
Padre Luís Cardoso (c. 1747):
«Está no arrabalde da Vila a Ermida de Santo Amaro, com a
Imagem do mesmo Santo, que tem feito muitos milagres, e no seu dia tem bastante
concurso de devotos; estão no mesmo Altar as Imagens de S. Brás, e Santa
Catarina.
«(…) Tem feira em dia de Santo Amaro, para o que se alcançou
Provisão no ano de mil setecentos e sete, com a mercê de ser o terrado para
aumento, e obras da Casa do Santo, de cuja Provisão pediu vista o Donatário, e
cobra-se o terrado para o Mosteiro; dura três dias e não é franca».
CARDOSO, Pe. Luís - Diccionario geografico, ou noticia historica de todas as cidades, villas, lugares, e aldeas, rios, r... / que escreve, e offerece ao muito alto... Rey D. João V nosso senhor o P. Luiz Cardoso, da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa... - Lisboa : na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real, 1747 – Tomo I, p. 278
O pároco, vigário Doutor Manuel Romão, em 1758:
«Tem a Ermida de Santo Amaro, que está próxima á Vila tão
antiga como a mesma (…) Em o dia do Santo quinze de Janeiro é visitada de muita
gente das terras vizinhas e também das remotas, que públicos milagres, e
prodígios que Deus lhe tem feito por intercessão do Santo, com agradecimento
lhe trazem braços, mãos, pés, dedos de cera que penduram nas paredes da casa do
Santo, e suposto muitos milagres moralmente sejam certos, não me consta seja
algum autêntico, nos mais dias do ano poucas vezes vem á dita Igreja gente de
Romaria».
(Memórias paroquiais, vol. 2, nº 53, p. 470)
Anotação: O padre Manuel Romão era prior de Alfeizerão desde 7 de junho de 1734, data em que tomou posse da paróquia, e responderá em 1758 ao inquérito alargado a todas as paróquias do reino realizado na sequência do sismo de 1755. O seu juízo sobre os milagres do Santo, de serem moralmente certos, mas não – indubitavelmente - autênticos, traduz a sua formação académica. Cursou na Faculdade de Teologia da Universidade de Coimbra de 1716 a 1727, alcançando o grau de Doutor a 12 de Outubro de 1727 (Código referência PT/AUC/ELU/UC-AUC/B/001-001/R/004604). A sua assinatura nos assentos paroquiais indica-nos isso e, em alguns casos, a origem albicastrense da sua família: Prior e Vigário Doutor Manuel Romão <de Castelo Branco>.
A CASA DO SANTO
«Arquitetura religiosa, quinhentista. Capela de nave única e
que possui galilé, opção muito utilizada nas ermidas dos séculos 16 e 17.
Planta retangular, de volumes articulados em justaposição e por adossamento,
dispostos com horizontalidade. Apresenta coberturas diferenciadas em telhados
de duas e três águas, com beiral. A fachada principal orientada a O. ostenta
galilé com quatro colunas, empena triangular, sobrepujada por cruz latina e
sineira; apresenta portal recto, de ombreiras e lintel pétreo, e porta no anexo
lateral direito».
(Sónia Vazão, 2004, verbete “Capela de Santo Amaro” no SIPA –
Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, IPA.00023310)
A imagem do santo, de pedra policromada e de pequenas
dimensões, poderia datar do século XVI, segundo a apreciação de Gustavo de
Matos Sequeira.
(«Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Leiria»,
volume V, Lisboa, Academia Nacional de Belas-Artes, 1955).
[1]
Provisão: acto de prover, carta pela qual se confere alguma mercê (SILVA,
António de Morais, Dicionário da Língua Portuguesa, Tomo 2, p. 522, Lisboa,
Tipografia Lacerdina, 1813)